Petismo apela para ‘guerra Santa’ na reta final da campanha
Boato sobre retirada do título de padroeira do Brasil chega ao TSE e ao STF e transformou santa em um dos principais temas
Nossa Senhora Aparecida entrou no centro da disputa presidencial faltando menos de dez dias para o primeiro turno. Uma informação falsa segundo a qual Flávio Bolsonaro (PL) retiraria, caso eleito, o título de padroeira do Brasil transformou uma disputa política entre petistas e bolsonaristas em uma batalha de natureza religiosa, mobilizou candidatos e igrejas nas redes sociais e acabou no centro de uma queda de braço entre ministros do TSE e do STF.
O boato surgiu a partir da interpretação de uma fala de Flávio durante uma live em agosto. Na época, o candidato disse que iria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Foi o suficiente para que petistas espalhassem a teoria de que Flávio, em parceria com uma ala das igrejas evangélicas neopentecostais, tinha um plano para tirar o título de Nossa Senhora Aparecida.
Somado a isso, os petistas ressuscitaram um projeto de 2007, apresentado pelo então deputado Victorio Galli (PP), pastor evangélico, para destituir a santa da condição de padroeira do Brasil. A proposta foi arquivada em 2008. Anos depois, Galli integrou o governo Jair Bolsonaro, circunstância que passou a ser explorada nas redes para tentar estabelecer uma conexão com a candidatura de Flávio.
A participação da imprensa no caso Nossa Senhora
A história ganhou tração quando a GloboNews reafirmou a informação sobre o suposto plano. Foi o suficiente para que lulistas espalhassem a história como se fosse a mais absoluta verdade.
Um dos responsáveis por espalhar a história foi o empresário Antonio Tabet. Ele postou na internet uma imagem de Nossa Senhora, com a frase “A família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”. Mesmo sem falar claramente que se tratava de Flávio, aliados de Lula intensificaram os posts com a fake news.
Saiba mais: “Não se pode falar o nome de Nossa Senhora”, diz Gilmar no STF
Em 25 de setembro, o ministro André Mendonça, do TSE, determinou a retirada de publicações que apresentavam como verdadeira a informação de que Flávio pretendia retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida – inclusive o de Tabet. A decisão considerou o conteúdo “notoriamente inverídico”. O caso foi alvo de uma nova disputa entre integrantes do TSE e do STF.
A disputa de liminares sobre Nossa Senhora
Depois da decisão de Mendonça, o ministro Flávio Dino, do STF, interveio e sustou a decisão do colega. Depois foi a vez de Luiz Fux sustar a decisão de Dino. No fim, o plenário do TSE decidiu modular o primeiro despacho de Mendonça e liberou o post de Tabet, mas excluiu todos aqueles que falaram da notícia falsa de forma explícita.
Segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque, a discussão sobre Nossa Senhora Aparecida gerou 124 milhões de interações em 1,3 milhão de postagens entre 23 e 27 de setembro. O tema se tornou o segundo episódio político mais comentado da campanha até então. A maior parte das publicações veio de perfis identificados com a esquerda.
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