Josias Teófilo na Crusoé: Programa estético para a conversão das almas
É possível converter uma alma através da arte, e não faltam exemplos
É possível converter uma alma através da arte? Eis uma pergunta eminentemente barroca.
A resposta é sim, e não faltam exemplos. Eu mesmo converti-me ao catolicismo por causa do filme A Paixão Segundo Mateus, de Pasolini.
Algumas pessoas disseram ter-se convertido por causa do meu filme O Jardim das Aflições.
Já tratei aqui do declínio estético do catolicismo. Este artigo apresenta algumas soluções para este declínio.
Todas têm a ver com o desencantamento do mundo decorrente do humanismo, do racionalismo moderno e da influência do protestantismo, que terminou por moldar em parte o catolicismo.
A visão do homem religioso é povoada de símbolos e mitos (no sentido de histórias fundadoras e não fantasiosas).
Horror ao vazio
Assim deve ser a igreja: repleta de imagens, tridimensionais e unidimensionais, e elas devem ser o mais coloridas possível e ter total liberdade formal.
É preferível que não sejam realistas, nem regidas pela perspectiva linear oriunda do Renascimento.
É preciso preencher cada espaço com arte, não deixar uma só parede ou quina em branco — tudo de acordo com o “horror ao vazio” barroco.
Não basta, porém, fazer arte religiosa no estilo do filme Nosso Lar ou de revista de Testemunha de Jeová — em que todo mundo é sorridente, e as pessoas convivem com tigres e leões.
A grande arte religiosa — especialmente medieval — mostra tanto Deus quanto o diabo, e tanto o céu quanto o inferno.
Nos tímpanos das catedrais góticas, os adornos que ficam acima das portas, podemos ver anjos e demônios, o céu e o inferno, Deus e o diabo.
Do lado de fora das catedrais existem as gárgulas, que têm uma dupla função, prática e simbólica, de escoar a água…
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