Flávio e Lula inviabilizam terceira via e polarização comanda eleição
Ao longo de 2026, nenhuma candidatura alternativa conseguiu romper a polarização entre petistas e bolsonaristas
A despeito do sentimento de mudança apontado por pesquisas ao longo da campanha, a eleição presidencial de 2026 chega ao primeiro turno reproduzindo a polarização entre petistas e a família Bolsonaro que domina a política nacional desde 2018.
E ao longo de 2026, nenhuma candidatura alternativa conseguiu, até aqui, romper esse eixo. Segundo os principais levantamentos, nenhuma candidatura fora da polarização concentrou sequer 10% dos votos, o que faz com que esse primeiro turno seja uma espécie de antecipação do cenário de segundo turno, que, salvo alguma surpresa de última hora, terá novamente o embate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
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A única eventual surpresa que pode ocorrer nessa eleição de domingo é a vitória em primeiro turno de um desses dois postulantes à Presidência da República. Os institutos de pesquisas têm capturado nos últimos dias pelo movimento do voto útil e o esvaziamento das demais candidaturas. Na reta final, esse movimento pode ajudar ou ao petista ou ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A situação é tão crônica que Augusto Cury (Avante) chegou a pedir o adiamento do primeiro turno, algo inédito.
Bolsonarismo minou chance de Tarcísio de Freitas
O movimento de esvaziamento da terceira via começou a se desenhar antes mesmo do início oficial da campanha. Em dezembro de 2025, Bolsonaro escolheu Flávio como seu candidato à Presidência, em detrimento do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A decisão contrariou setores do centrão que viam Tarcísio como um nome capaz de reunir diferentes grupos da direita.
Em março, as pesquisas passaram a medir de forma mais consistente a candidatura de Flávio, que já aparecia como o principal adversário de Lula. No Datafolha divulgado no início daquele mês, Lula tinha 38% no cenário considerado mais provável de primeiro turno, contra 32% de Flávio. Ratinho Jr., então pré-candidato, aparecia com 7% e Romeu Zema, com 4%. Tarcísio, ainda testado em outros cenários, chegava a 21%, mas já estava distante dos dois principais nomes.
Aos poucos, Flávio passou a concentrar não somente os votos do bolsonarista raiz como também de determinados setores da Direita, isso a despeito das várias ligações do senador com esquemas de corrupção, como, por exemplo, o mal explicado financiamento do filme “Dark Horse”, em homenagem a Jair, e seus contatos frequentes com o banqueiro Daniel Vorcaro, e os sucessivos movimentos de seu irmão Eduardo Bolsonaro e do influenciador Paulo Figueiredo nos Estados Unidos junto à Casa Branca.
Petismo forçou nova disputa com Lula
Do lado petista, a candidatura de Lula é retrato da falta de quadros para manter viva a chama da esquerda em todo o país. O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad chegou a ser citado como um possível candidato, mas nunca teve apoio do prório Lula.
O atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que era ministro da Justiça do governo Lula, chegou a ser apontado como um possível substituto de Lula ainda em 2026. Dino, inclusive, tinha iniciado movimentos políticos nesse sentido. Mas a indicação de Lula tirou o correligionário do páreo.
Ainda na fase da pré-campanha, outro nome que chegou a ser apontado como um eventual candidato foi o do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD). O movimento foi incentivado por Gilberto Kassab, presidente da sigla. Mas o próprio Ratinho desistiu, abrindo caminho par aa candidatura de Ronaldo Caiado.
Terceira via nunca chegou a ser competitiva em 2026
Em poucos momentos, os candidatos da chamada terceira via se mostraram competitivos. Quem conseguiu furar a bolha em algum momento foi o escritor Augusto Cury, que chegou a ter 10% das intenções de votos no início de agosto, após o primeiro debate da Band. Mas ele desidratou nas semanas seguintes, principalmente após ter defendido, em sabatina na TV Globo, que a violência contra a mulher pode ser combatida com drones.
Ronaldo Caiado (PSD) chega à reta final das eleições praticamente jogando a toalha. Nas últimas duas semanas, ele concentrou sua agenda de campanha em Goiás, seu estado natal. A ideia dele, ao menos, foi de conservar o poder local. Daniel Vilela (MDB) deve ser eleito justamente com o apoio do ex-governador.
Renan Santos (Missão) chegou a se colocar como um candidato viável, mas seu discurso excessivamente bélico, a linguagem agressiva (inclusive da militância) e a defesa pública de que o Brasil tenha armas nucleares inviabilizou seu crescimento ao longo da campanha.
A última cartada de Renan era a sua participação no debate da TV Globo, que foi suspenso após uma série de decisões judiciais. Em uma das decisões, Renan viu-se beneficiado por um despacho de Gilmar Mendes, do STF. Um final melancólico da candidatura de alguém que se colocou, o tempo todo, como um candidato antissistema.
E Romeu Zema (Novo), que elegeu o Supremo Tribunal Federal (STF), como seu maior inimigo, chega na reta final da campanha na pior condição entre os candidatos. É capaz que ele termine a eleição com menos de 2% das intenções de voto. Um patamar semelhante a Cabo Daciolo das eleições de 2018.
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