O chão simplesmente desapareceu e deixou um poço de 61 metros quando água dissolveu um bloco enterrado de gesso em Utah
Água subterrânea dissolveu um antigo depósito de gesso e provocou o colapso das camadas rochosas em Cathedral Valley
No deserto de Utah, o Gypsum Sinkhole parece um poço aberto repentinamente no terreno, com aproximadamente 15 metros de diâmetro e 61 metros de profundidade. A estrutura fica em Cathedral Valley, no Capitol Reef National Park, e surgiu depois que água subterrânea dissolveu um depósito de gesso enterrado, retirando o suporte das rochas que estavam acima.
Como o Gypsum Sinkhole se formou no meio do deserto?
O processo começou no subsolo. O gesso é um mineral solúvel, portanto água que circula através de fraturas consegue removê-lo lentamente. Em Cathedral Valley havia um corpo enterrado desse material, descrito pelos geólogos como um plugue ou massa de gesso.
À medida que a dissolução avançou, formou-se uma cavidade subterrânea cada vez maior. As camadas superiores continuaram sustentadas temporariamente, mas acabaram perdendo apoio suficiente. O teto cedeu sob o próprio peso e transformou o vazio subterrâneo no grande buraco atualmente visível.
De onde veio todo esse gesso enterrado?
O material está relacionado à Formação Carmel, depositada durante o Jurássico Médio. Aproximadamente 165 milhões de anos atrás, evaporação de águas marinhas deixou minerais evaporíticos na região, entre eles o gesso que posteriormente foi enterrado por novas camadas sedimentares.
Como o gesso possui densidade relativamente baixa, partes desses depósitos puderam deformar-se lentamente e subir por falhas e fraturas. Em alguns pontos, isso formou concentrações maiores do mineral, criando condições para estruturas como o Gypsum Sinkhole e a próxima Glass Mountain.
- Gesso depositado há cerca de 165 milhões de anos;
- Enterramento sob novas camadas sedimentares;
- Movimento do mineral por falhas e fraturas;
- Entrada de água subterrânea;
- Dissolução progressiva do gesso;
- Colapso das rochas superiores.
Este vídeo mostra diretamente o Gypsum Sinkhole em Cathedral Valley.
Por que o Gypsum Sinkhole ficou tão profundo?
A abertura atual possui cerca de 15 metros de diâmetro, mas desce aproximadamente 61 metros. Essa proporção incomum reflete a geometria do depósito dissolvido e o colapso vertical das camadas que anteriormente cobriam a cavidade subterrânea.
O buraco não deve ser imaginado como uma escavação produzida de uma só vez por água corrente. A água atuou principalmente dissolvendo o mineral no subsolo; depois, a gravidade realizou a etapa mais dramática, derrubando o material que já não possuía sustentação adequada.
Por que a água consegue dissolver rocha suficiente para derrubar o terreno?
Minerais solúveis podem ser removidos molécula por molécula quando entram em contato repetido com água subterrânea. O National Park Service explica a formação do Gypsum Sinkhole como resultado direto da dissolução de um depósito enterrado seguida pelo colapso das camadas superiores.
Esse mecanismo pertence à mesma família de processos responsáveis por muitas dolinas em terrenos cársticos, embora o material dissolvido nem sempre seja o mesmo. Calcário, sal e gesso podem desenvolver vazios subterrâneos quando condições geológicas e hidrológicas favorecem a dissolução.

O Gypsum Sinkhole ainda pode continuar mudando?
Sim. O Gypsum Sinkhole não deve ser tratado como uma estrutura completamente estabilizada. O próprio parque alerta que as rochas nas bordas são macias e instáveis e podem desmoronar, razão pela qual aproximar-se excessivamente da abertura representa risco.
Água continua circulando pela região, enquanto intemperismo e gravidade atuam sobre as paredes. Isso significa que pequenos colapsos podem modificar o formato da abertura, embora não seja possível prever exatamente quando ou em que ponto ocorrerá uma nova queda.
O que esse poço revela sobre a geologia de Cathedral Valley?
Cathedral Valley reúne processos geológicos contrastantes. Enquanto a erosão esculpiu grandes monólitos no arenito Entrada, a dissolução subterrânea do gesso produziu o sinkhole. Perto dali, Glass Mountain mostra o processo oposto: uma concentração de cristais de gesso atualmente exposta na superfície.
Essas estruturas revelam que uma paisagem aparentemente seca pode ser profundamente modificada pela água. Mesmo sem rios permanentes escavando o terreno, circulação subterrânea lenta consegue remover minerais, criar cavidades e, eventualmente, fazer dezenas de metros de rocha perderem sustentação.
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