Na linha dos mineiros pré-históricos e da ave do deserto: a semente de tamareira de 2 mil anos, achada em Massada, que germinou e virou árvore
Semente de tamareira de 2 mil anos achada em Massada germina e vira árvore batizada de Matusalém
Uma semente de tamareira guardada por dois milênios voltou à vida em um viveiro no deserto de Israel. Retirada de escavações na fortaleza de Massada, ela brotou em 2005 e deu origem a uma palmeira apelidada de Matusalém. O caso foi publicado na revista Science, em 2008, e entrou para o livro dos recordes como a semente mais antiga já germinada.
De onde veio a semente que virou árvore?
Ela veio de escavações feitas na década de 1960 em Massada, sítio arqueológico às margens do Mar Morto. Segundo o Instituto Arava, o material foi recolhido durante trabalhos liderados pelo arqueólogo Yigal Yadin. A datação por carbono apontou idade aproximada de dois mil anos.
Pelo contexto histórico, a semente provavelmente pertencia ao período da primeira guerra judaica contra Roma. Ficou guardada em coleção por décadas, sem que ninguém imaginasse que ainda pudesse brotar. Só quatro décadas depois alguém decidiu testar.
A linha do tempo abaixo resume o caminho do achado até a planta adulta.
Por que uma semente tão antiga ainda germinou?
A explicação combina biologia e ambiente. Sementes de tamareira têm casca dura e reservas que protegem o embrião. O clima da região do Mar Morto, seco e estável, ajudou a preservar o material por muito tempo. Calor constante e pouca umidade retardam a deterioração.
Ainda assim, convém separar o que é fato do que é expectativa. O caso mostra que a germinação foi possível, mas não significa que qualquer semente milenar brote. Boa parte do material antigo perde a viabilidade, e os testes costumam falhar mais do que dar certo.
- Casca resistente protege o embrião contra umidade e fungos.
- Clima seco reduz a degradação química ao longo dos séculos.
- Preparo em laboratório estimula a semente antes do plantio.
- A maior parte das tentativas não resulta em planta viável.
- A datação por carbono confirma a idade, mas não garante que a semente brote.

O que aconteceu com a palmeira Matusalém?
A planta cresceu e se revelou macho, ou seja, produz pólen e não dá frutos sozinha. Por isso, o projeto passou a buscar exemplares fêmeas, obtidos a partir de outras sementes antigas encontradas na mesma região. A ideia é recuperar características da tamareira cultivada na região na Antiguidade.
Segundo o instituto, outras sementes antigas também germinaram depois da primeira. Esse conjunto de plantas permite estudar variedades que haviam desaparecido dos pomares modernos. O objetivo de longo prazo é chegar a frutos parecidos com os da tâmara antiga da região.
Que utilidade essa pesquisa tem nos dias de hoje?
A pesquisa interessa à agricultura e também à conservação de espécies cultivadas. Variedades antigas podem guardar características úteis, como resistência a doenças e a solos salinos. Os pesquisadores destacam alguns caminhos:
- Estudar a genética de plantas que eram cultivadas há dois mil anos.
- Comparar resistência a pragas com a das variedades atuais de tâmara.
- Recuperar tipos de tâmaras descritos em textos históricos.
- Melhorar técnicas de conservação de sementes em bancos genéticos.
- Testar cultivos adaptados a regiões áridas, cada vez mais comuns com a mudança do clima.

A descrição do projeto está no site do Instituto Arava. Lá também aparecem os nomes das pesquisadoras envolvidas e o histórico do cultivo.
Instituto Arava de Estudos Ambientais
O que essa árvore antiga ensina sobre o tempo?
Ensina que a vida às vezes espera bem mais do que imaginamos por uma segunda chance. Uma semente esquecida numa gaveta de coleção virou árvore, notícia científica e símbolo de paciência para pesquisadores. Da próxima vez que ouvir falar em banco de sementes, que tal lembrar de Matusalém?
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