Petróleo busca novas rotas enquanto Opep+ adia decisão sobre cotas
Arábia Saudita aumenta o fluxo de petróleo fora de Ormuz enquanto Opep+ adia revisão das capacidades de produção
A Arábia Saudita aumentou para perto de 6 milhões de barris por dia o petróleo bombeado pelo oleoduto Leste-Oeste, mais de 80% da capacidade, segundo a Bloomberg.
Descontado o abastecimento das refinarias da costa do Mar Vermelho, sobram cerca de 4,5 milhões de barris diários para exportação, o maior volume desde o início da guerra.
O oleoduto liga os campos do leste do país ao porto de Yanbu e permite vender petróleo sem passar pelo Estreito de Ormuz, onde o tráfego foi afetado pela guerra contra o Irã. A rota ficou parada em setembro depois de ataques de drones.
Na segunda-feira, foi informado pela Bloomberg que o fluxo havia voltado a pelo menos 3,5 milhões de barris por dia, metade da capacidade.
O reforço da oferta saudita não bastou para segurar os preços. Na manhã, o petróleo tipo Brent ainda subia 0,28%, a 102,60 dólares por barril, e o WTI avançava 0,29%, a 93,14 dólares. No meio da sessão europeia, a Reuters já via o Brent a 99,74 dólares, queda de 2,51%, e o WTI a 89,34 dólares, queda de 3,8%, com o mercado precificando a discussão europeia sobre estoques. O Brent caminha para queda semanal de cerca de 4%, depois de alta de cerca de 14% em setembro.
Essa retomada das exportações sauditas foi em parte ofuscada pela notícia de que mais um porta-aviões americano estava a caminho do Golfo e pela suspensão das vendas externas de combustíveis refinados pela China.
Os refinadores chineses não receberam autorização para exportar além de Hong Kong e Macau em outubro, e não está claro se isso muda após o feriado, que termina em 7 de outubro. Washington pediu à União Europeia que libere 120 milhões de barris de diesel em seis meses, segundo fonte da Reuters na quinta-feira.
Nesta sexta, o bloco discutia proposta francesa de 50 milhões de barris de diesel. Alemanha e França seguem cobradas a usar estoques de emergência, sob risco de limites às exportações americanas do combustível.
Em paralelo, a Opep+ adiou a revisão da capacidade de produção de seus membros, base das cotas de 2027, segundo duas fontes ouvidas pela Reuters.
O prazo era o fim de setembro, e uma delas diz que a conclusão deve ficar para meados de novembro. A guerra atrasou obras que aumentariam a produção de alguns integrantes e dificultou estimar quanto cada um consegue extrair.
Isso pesa nas cotas, pois países com capacidade avaliada menor podem sofrer pressão por limites mais baixos, e os que expandiram a produção tendem a pedir mais. Os Emirados Árabes Unidos, que pressionavam por cota maior, deixaram a aliança em maio. O Iraque, que também busca aumentar sua produção de petróleo, chegou a considerar a saída da Opep, segundo fontes da Reuters ouvidas em junho.
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