O polo sul de Saturno ganhou uma figura de dez lados: Hubble acompanha um decágono atmosférico que não aparecia assim poucos anos atrás
Diferente do hexágono do polo norte, estável há décadas, o decágono parece estar se fortalecendo

O que você vai ver
- Por que o hemisfério sul de Saturno só voltou a ser observado em 2023.
- Como o decágono evoluiu de uma figura fraca até vértices completos.
- Em que o decágono se diferencia do já famoso hexágono do polo norte.
- Por que acompanhar esse tipo de estrutura em formação é tão raro.
- Qual programa do Hubble permitiu esse acompanhamento ano a ano.
O polo sul de Saturno ganhou uma figura geométrica de dez lados, e o telescópio Hubble vem acompanhando de perto esse decágono atmosférico que simplesmente não existia, pelo menos de forma visível, poucos anos atrás.
Por que o hemisfério sul de Saturno só voltou a ser observado em 2023?
O hemisfério sul de Saturno ficou fora de vista a partir da Terra desde 2012, período prolongado de ocultação causado pela inclinação orbital do planeta, condição que impediu qualquer observação direta dessa região específica por mais de uma década consecutiva.
Segundo o ScienceDaily, esse hemisfério só voltou a ficar observável novamente em 2023, momento em que o telescópio espacial Hubble capturou, em outubro daquele ano, as primeiras imagens revelando um polígono fraco de dez vértices próximo à latitude 63 graus sul do planeta.

Como o decágono evoluiu de uma figura fraca até vértices completos?
A estrutura identificada em 2023 começou como um polígono apenas tenuemente visível, mas já em agosto de 2024 a forma havia se tornado consideravelmente mais nítida, progressão que indicava um processo contínuo de fortalecimento da estrutura atmosférica ao longo dos meses seguintes.
Entre agosto e setembro de 2025, tanto o Hubble quanto observadores terrestres conseguiram capturar os dez vértices do decágono já completamente formados, consolidação que confirma tratar-se de um fenômeno atmosférico persistente, e não apenas uma distorção temporária ou artefato passageiro de observação.
Em que o decágono se diferencia do já famoso hexágono do polo norte?
O polo norte de Saturno abriga havia décadas uma corrente de jato hexagonal, estrutura bizarra de seis lados identificada pela primeira vez pela sonda Voyager, da Nasa, ainda nos anos 1980, e que permanece ativa e praticamente estável desde então, sem mudanças estruturais relevantes.
O decágono do polo sul, por outro lado, parece estar se fortalecendo progressivamente, em vez de permanecer estático como o hexágono do hemisfério oposto, diferença que oferece aos cientistas uma oportunidade rara de observar o desenvolvimento ativo de um padrão atmosférico gigante em tempo real, em vez de apenas estudar uma estrutura já consolidada havia décadas.
Por que acompanhar esse tipo de estrutura em formação é tão raro?
Observar o surgimento e o fortalecimento gradual de um padrão atmosférico de escala planetária como o decágono é raro porque esse tipo de estrutura geralmente já está plenamente formada quando identificada pela primeira vez, como ocorreu originalmente com o próprio hexágono do polo norte décadas atrás.
Ter acesso a um registro praticamente desde o início, acompanhando a evolução do decágono ano após ano desde sua primeira detecção em 2023, oferece aos cientistas uma janela de observação excepcionalmente valiosa sobre os mecanismos atmosféricos que dão origem a esse tipo específico de padrão geométrico gigante em planetas gasosos.

Qual programa do Hubble permitiu esse acompanhamento ano a ano?
As observações do decágono fazem parte do programa Legado de Atmosferas dos Planetas Externos, conhecido pela sigla OPAL, iniciativa do Hubble que fotografa anualmente os planetas externos do sistema solar há mais de uma década, prática sistemática que tornou possível capturar essa evolução específica ano a ano.
Esse acompanhamento contínuo e sistemático, mantido ao longo de tantos anos consecutivos, é justamente o que permitiu aos astrônomos documentar com tanto detalhe a transição do decágono de um polígono fraco e recém-identificado até uma estrutura plenamente definida, trajetória que dificilmente seria capturada sem esse tipo de observação regular de longo prazo.
- O hemisfério sul de Saturno ficou fora de vista da Terra por mais de uma década, até 2023.
- O decágono de dez vértices evoluiu de uma forma fraca em 2023 até vértices completos em 2025.
- Diferente do hexágono do polo norte, estável há décadas, o decágono parece estar se fortalecendo.
- O programa OPAL do Hubble, que fotografa planetas externos anualmente, permitiu esse acompanhamento contínuo.
Padrões que também evoluem de forma gradual e exigem acompanhamento prolongado para serem confirmados aparecem no relato sobre a pluma de poeira do Mali e sua possível ligação com o El Niño em desenvolvimento.
Mais detalhes sobre o decágono de Saturno estão disponíveis no site oficial do ScienceDaily.
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