Astrônomos procuram dois sóis em busca de planetas gigantes em sistema binário próximo
Uma das buscas mais sensíveis já realizadas por planetas gigantes em um sistema estelar próximo terminou sem encontrar o mundo que os pesquisadores procuravam.
Uma das buscas mais sensíveis já realizadas por planetas gigantes em um sistema estelar próximo terminou sem encontrar o mundo que os pesquisadores procuravam.
O alvo foi 70 Ophiuchi AB, um sistema a cerca de 16 anos-luz formado por duas estrelas, onde os cientistas conseguiram descartar a presença de planetas com massa semelhante ou superior à de Júpiter em determinadas regiões — mas deixaram aberta a possibilidade de mundos menores e potencialmente interessantes.
O que os astrônomos descobriram no sistema 70 Ophiuchi AB?
O estudo, liderado pela Universidade de Michigan, analisou cerca de um século de dados sobre o sistema binário. A investigação não encontrou planetas gigantes, mas estabeleceu limites importantes para futuras buscas por mundos menores.
Os pesquisadores descartaram planetas com massa equivalente à de Júpiter ou maior dentro de 5 unidades astronômicas da estrela 70 Oph A e dentro de 0,5 unidade astronômica da 70 Oph B.
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Large Planets Ruled Out After 70 Ophiuchi AB Binary System Searchhttps://t.co/4YaoJ65DA6 #astrobiology #exoplanet #astronomy #StellarCartography pic.twitter.com/X76f9k95hk
— Astrobiology (@astrobiology) September 30, 2026
Por que esse sistema chamou tanta atenção?
O 70 Ophiuchi AB é um dos sistemas binários mais próximos da Terra e possui uma história astronômica que remonta ao século XIX. Em 1855, o astrônomo William Jacob chegou a afirmar que havia encontrado um planeta orbitando o sistema, mas a alegação não resistiu a análises posteriores.
Agora, o sistema volta ao centro das pesquisas porque suas duas estrelas estão entre as que possuem órbitas mais bem caracterizadas, tornando o local um alvo importante para futuros observatórios espaciais.
Conheça mais detalhes de 70 Ophiuchi AB no vídeo abaixo do canal “University of Michigan“.
Quais pistas ajudaram a descartar um planeta parecido com Júpiter?
Durante décadas, medições da velocidade radial das estrelas registraram uma espécie de “balanço” que poderia ser interpretado como a influência gravitacional de um planeta gigante. A nova análise mostrou que a explicação estava nas próprias estrelas.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas combinaram dados históricos com observações de telescópios modernos, incluindo:
O resultado mostrou que as variações observadas eram provocadas pela atividade estelar, e não por um planeta gigante.
Ainda pode existir um planeta habitável por lá?
Sim. E é justamente essa possibilidade que mantém o sistema entre os alvos de interesse científico. A pesquisa não procurou descartar planetas menores, deixando aberta a existência de mundos com massa semelhante à de Saturno ou inferior.
A chamada zona habitável é especialmente importante porque corresponde à região onde as condições de temperatura podem permitir a existência de água líquida na superfície de um planeta rochoso.
O que pode acontecer nas próximas buscas por planetas gigantes?
O novo limite estabelecido pelos pesquisadores ajuda a definir onde e como os próximos observatórios deverão procurar. O sistema está entre os alvos considerados para futuras missões dedicadas a estrelas binárias.
Entre elas está a missão SHERA, enquanto o futuro Habitable Worlds Observatory, da NASA, também poderá investigar sistemas desse tipo. Assim, o resultado negativo não encerra a busca: ele reduz uma possibilidade e torna a próxima procura mais precisa.
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