Ruas desenhadas por Portugal em 1745 e trilhas para picos de quase 2 mil metros: a cidade colonial do sul da Chapada Diamantina que parece parada no tempo
O traçado antigo continua visível nas ruas do centro histórico
A Chapada Diamantina costuma ser lembrada pelas cachoeiras e pelos cânions do norte, mas o lado sul da serra guarda uma combinação rara de história e montanha. Rio de Contas, na Bahia, preserva o traçado de uma vila criada pela Coroa portuguesa no ciclo do ouro e serve de ponto de partida para trilhas entre os picos mais altos do Nordeste.
Por que Rio de Contas é uma cidade colonial tão rara?
Ao contrário da maioria das vilas do ouro, que cresceram de forma espontânea, Rio de Contas nasceu de um plano. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a cidade foi criada por uma provisão real de 1745, que mandava escolher um local adequado, abrir ruas regulares e erguer construções capazes de embelezar a nova vila.
Esse desenho chegou quase intacto aos dias de hoje. O conjunto arquitetônico e urbanístico foi tombado em 1980 e reúne 287 edificações, com casario de adobe, praças largas, monumentos de pedra e igrejas barrocas que contam a história de quase três séculos de ocupação.

Rio de Contas em números
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O que visitar no centro histórico de Rio de Contas?
O passeio começa a pé, pelas ruas do conjunto tombado. Em poucos quarteirões, o visitante passa por igrejas, sobrados e prédios públicos que funcionaram durante o auge do ouro na região.
- Igreja de Pedra: as ruínas da antiga Igreja de Sant’Ana, construção em pedra que nunca foi concluída, estão entre os bens protegidos pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).
- Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento: templo imponente no coração do centro histórico, um dos cartões-postais da cidade.
- Casa de Câmara e Cadeia: prédio colonial que hoje funciona como museu municipal e recebe visitantes interessados na história local.
- Ponte do Coronel: ponte histórica que virou um dos lugares mais fotografados de Rio de Contas.
Quem busca história e natureza na Bahia, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Athylla Borborema, que conta com mais de 56 mil visualizações, onde Athylla Borborema mostra o patrimônio de Rio de Contas:
Quais trilhas e cachoeiras ficam perto de Rio de Contas?
A cidade fica cercada por serras que estão entre as mais altas do Nordeste. O destaque é o Pico das Almas, com 1.958 metros, protegido pelo Parque Municipal Natural da Serra das Almas, unidade de conservação criada para preservar a montanha, suas nascentes e espécies de plantas que só existem na região.
Para quem prefere passeios mais curtos, a Cachoeira do Fraga é o banho de rio mais conhecido do município e fica perto do centro. O Mirante da Capelinha completa o roteiro com uma vista ampla da cidade e das serras ao redor, especialmente bonita no fim da tarde.
Como chegar e quando ir a Rio de Contas?
A partir de Salvador, a viagem é feita de carro ou de ônibus intermunicipal até o sul da Chapada. Rio de Contas também combina bem com outros destinos da Chapada, como Mucugê, em roteiros de carro pelo sul da serra.
O Carnaval Tradicional de Rio de Contas, apoiado pelo Governo da Bahia, é uma das épocas mais animadas para visitar a cidade. Quem procura trilhas deve preferir os meses secos, quando os caminhos da serra ficam mais firmes e o céu, mais limpo.

Como é o clima de Rio de Contas ao longo do ano?
O clima tem estação chuvosa curta e um longo período seco. Nas médias de 30 anos do Climatempo, novembro concentra 134 mm de chuva, enquanto agosto registra apenas 8 mm e julho tem mínimas de 14 °C.
Rio de Contas em cada estação
Valores baseados nas médias climatológicas de 30 anos do Climatempo. Fenômenos como El Niño e La Niña podem mudar o padrão de um ano para outro. Para as condições do dia, confira o tempo agora em Rio de Contas.
Uma vila do ouro que virou refúgio na serra
Rio de Contas reúne o que poucos destinos conseguem juntar no mesmo fim de semana: ruas planejadas há quase três séculos, igrejas de pedra e montanhas com vista para boa parte da Chapada. O ritmo calmo completa a sensação de viagem no tempo.
Você precisa conhecer Rio de Contas e caminhar pelo centro histórico ao entardecer, antes de subir a serra na manhã seguinte.
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