Dino cita ataques anteriores ao caso Nossa Senhora para abrir inquérito
Despacho cita dez episódios de vandalismo para apontar uma “aparente onda” de ataques; apenas um ocorreu depois de 27 de setembro
A cronologia das notícias reunidas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para determinar a abertura de um inquérito sobre ataques a imagens religiosas não estabelece, por si só, uma relação temporal entre a decisão do magistrado sobre publicações envolvendo Nossa Senhora Aparecida e os episódios de vandalismo mencionados no despacho.
Ao determinar nesta quarta-feira, 30, que a Polícia Federal investigue os casos, Dino afirmou ter recebido “notícias de várias partes do Brasil demonstrando uma aparente onda de ataques nos últimos meses contra imagens religiosas”. Em seguida, listou dez episódios ocorridos em diferentes estados e envolvendo símbolos católicos e de religiões de matriz africana.
O problema é que nove dos dez acontecimentos citados são anteriores à decisão de 27 de setembro, na qual Dino havia determinado o restabelecimento de publicações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida e à campanha de Flávio Bolsonaro.
Naquela decisão, o ministro derrubou uma ordem do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, que havia determinado a retirada de conteúdos sobre o tema.
Dos dez episódios reunidos no novo despacho, houve um, por exemplo, de março deste ano. Em Jauru (MT), um homem foi detido após destruir com um machado uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. O caso dia 7, meses antes da decisão de Dino de setembro.
Outro episódio citado ocorreu em Londrina. A notícia utilizada pelo ministro foi publicada em 15 de setembro de 2025 e relata ataques contra imagens de Nossa Senhora Aparecida e Santa Rita de Cássia em uma loja de artigos religiosos.
Também são anteriores à decisão de Dino os casos de Maceió, registrado em 5 de agosto de 2026, de Novo Progresso (PA), ocorrido em 1º de agosto, e de Rio Grande (RS), em 29 de agosto. No caso gaúcho, duas imagens de anjos foram destruídas dentro da Catedral de São Pedro.
Entre os dez casos citados por Dino, há apenas um episódio posterior à decisão: a destruição de uma imagem de Santa Dulce dos Pobres, em uma igreja de Salvador. O crime foi registrado em 22 de setembro, portanto antes da decisão de 27 de setembro, embora a notícia tenha ganhado repercussão nas redes sociais apenas em 27 e 28 de setembro.
O próprio despacho registra o caso como ocorrido antes da divulgação.
Leia a cronologia dos casos citados por Flávio Dino no despacho desta quarta-feira:
“Paróquia de Salvador é alvo de vandalismo e imagem religiosa é destruída”
DATA DA NOTÍCIA: 11 de setembro de 2026
“Vândalos destroem imagens de santos em loja de Londrina”
DATA DA NOTÍCIA: 15 de setembro de 2025
“Imagens sacras são destruídas dentro da Catedral de São Pedro, em Rio Grande”
DATA DA NOTÍCIA: 01 de setembro de 2026
“Loja de artigos religiosos é vandalizada pela terceira vez em Londrina; confira vídeo”
DATA DA NOTÍCIA: 02 de setembro de 2026
“Imagem de Nossa Senhora é alvo de vandalismo na Jatiúca”
DATA DA NOTÍCIA: 06 de agosto de 2026
“Terreiro de umbanda na Grande BH é alvo de vandalismo”
DATA DA NOTÍCIA: 05 de agosto de 2026
“Imagem de Santa Dulce é destruída dentro de igreja de Salvador”
DATA DA NOTÍCIA: 28 de setembro de 2026
“Homem quebra imagem de Nossa Senhora Aparecida com machado em capela de MT: ‘a mando de espíritos’”
DATA DA NOTÍCIA: 10 de março de 2026
“Mãe de santo denuncia pastor por destruir assentamento de Exu em terreiro na Bahia”
DATA DA NOTÍCIA: 15 de setembro de 2026
“Imagem de Nossa Senhora Aparecida é incendiada e destruída às margens da BR-163, em Novo Progresso”
DATA DA NOTÍCIA: 3 de agosto de 2026
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