Crusoé: EUA deixam o Iraque após 23 anos e o Irã celebra
Com os americanos fora do Iraque, curdos temem ataques do Irã e milícias. Medo maior é a retirada das defesas antiaéreas dos EUA no norte
Os Estados Unidos concluíram nesta quarta-feira (30) a retirada de suas tropas do Iraque, último passo de um acordo fechado com Bagdá em 2024, e o Irã e seus aliados no país trataram a saída como vitória.
Os americanos chegaram em 2003 para derrubar Saddam Hussein, saíram em 2011 e voltaram em 2014 para ajudar o Iraque a combater o Estado Islâmico. Segundo estimativas, cerca de 4.500 americanos morreram ao longo de mais de duas décadas de guerra no país.
A retirada foi negociada no governo de Joe Biden e executada pela gestão de Donald Trump, que está em guerra com o Irã desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã.
Antes disso, os militares já haviam deixado a maior parte das bases iraquianas e permaneceram só no Curdistão, no norte. Essas bases sofriam ataques frequentes desde o início do conflito com o país vizinho, com a retirada final reduzindo o risco para as tropas.
O governo iraquiano havia ligado o prazo de 30 de setembro ao desarmamento das milícias ligadas ao Irã, mas recuou. Em entrevista ao New York Times, o primeiro-ministro Ali al-Zaidi disse que a nova data é 30 de junho de 2027.
O plano prevê 90 dias sem ataques dos grupos, em troca da garantia de que os americanos não vão atingi-los, e só depois a entrega das armas. As milícias pedem prazo até o fim de 2027, e as três mais poderosas delas, Kataib Hezbollah, Harakat Hezbollah al-Nujaba e Kataib Sayyid al-Shuhada, dizem que não entregam as armas enquanto o Iraque estiver vulnerável.
Um integrante da Kataib Hezbollah disse, segundo a AP, que os americanos saíram derrotados e alertou Zaidi a não seguir planos dos Estados Unidos, sob ameaça de derrubar por qualquer meio governos que não atuem pelo povo. Bagdá e Washington apresentam a data da retirada como um marco de soberania e de fim da missão anti-EI, não como capitulação.
Especialistas iraquianos ouvidos pela Reuters afirmam que a saída pode dar ao Irã e a seus aliados mais liberdade para agir no país e abrir espaço para o retorno do Estado Islâmico. Forças de segurança iraquianas disseram ter identificado um grupo suspeito de preparar atentados suicidas na data da retirada.
No Curdistão, onde autoridades contam mais de mil ataques com drones e mísseis durante o conflito entre americanos e iranianos, o maior temor é a…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)