Oklahoma soltou 300 bisontes em 1993 e hoje tem 2.500: estudo no Kansas registra alta de 103% nas plantas nativas com o animal
Oklahoma soltou 300 bisontes em 1993 e hoje tem 2.500: estudo no Kansas registra alta de 103% nas plantas nativas com o animal
bisontes: do rebanho solto em 1993 aos animais que vivem hoje soltos na reserva de pradaria de Oklahoma.
Fonte: The Nature Conservancy
Em 1993, 300 bisontes americanos foram soltos na Reserva de Pradaria de Grama Alta Joseph H. Williams, em Oklahoma, nos Estados Unidos. Hoje, cerca de 2.500 animais circulam livres pela área, segundo a The Nature Conservancy, organização que administra a reserva. O efeito desse tipo de retorno aparece nos números de um estudo publicado em 2022 na revista PNAS. Numa pradaria do Kansas, o pastejo de bisontes elevou em 103% a variedade de plantas nativas em escala local.
Como começou a volta dos bisontes à pradaria de Oklahoma?
A volta começou com a compra de terras de um antigo rancho para proteger um dos últimos grandes trechos de pradaria de grama alta. Os marcos do projeto são estes:
- em 1989, a The Nature Conservancy iniciou a restauração nas terras do antigo Rancho Chapman-Barnard;
- em 1993, os primeiros 300 bisontes foram soltos na reserva;
- a área chega hoje a 39.650 acres, cerca de 16 mil hectares;
- a reserva protege parte dos menos de 4% que restam da pradaria de grama alta, que ocupava 14 estados;
- o rebanho atual soma cerca de 2.500 bisontes soltos.

O que os bisontes fazem de diferente no ecossistema?
Os bisontes moldam a paisagem enquanto comem, andam e descansam. Eles preferem gramíneas e deixam de lado muitas flores silvestres, o que abre espaço e luz para espécies que antes ficavam sufocadas. Ao rolar no chão, criam depressões que acumulam água da chuva e viram pequenos habitats úmidos. As fezes devolvem nutrientes ao solo, e o pelo que cai na troca de estação ainda serve de material para ninhos de aves.
Cada hábito do animal deixa uma marca diferente na pradaria. O carrossel abaixo reúne os principais efeitos.
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O que o estudo publicado na PNAS descobriu no Kansas?
O estudo indica que os bisontes mais que dobram a variedade de plantas nativas numa pradaria de grama alta. A pesquisa, liderada por Zak Ratajczak, da Universidade Estadual do Kansas, analisou 29 anos de dados da Estação Biológica Konza Prairie. As áreas com bisontes tiveram 103% mais espécies nativas em escala local e 86% mais na escala de bacia hidrográfica. O efeito resistiu até à seca de 2012, a mais severa em quatro décadas, e o gado bovino gerou ganhos bem menores.
Por que o fogo controlado é parceiro do rebanho?
O fogo renova a pastagem e guia o rebanho pela reserva, numa interação que os ecólogos chamam de piro-herbivoria. O ciclo usado em Oklahoma funciona assim:
- A equipe queima de forma controlada uma parte da pradaria.
- Brotos novos e nutritivos surgem pouco tempo depois.
- Os bisontes se concentram na área queimada para comer.
- Outra área é queimada, e o rebanho muda de lugar.
- A pradaria vira um mosaico de trechos altos, baixos e em recuperação.
Esse mosaico oferece abrigo a insetos, pequenos mamíferos e aves com necessidades diferentes. O dado mais forte sobre o efeito do bisonte cabe numa frase.
Ratajczak et al., PNAS, 2022 (Universidade Estadual do Kansas)
O que a pradaria de Oklahoma ensina à restauração ecológica?
Ensina que devolver um grande herbívoro funciona melhor quando o projeto também restaura processos como o fogo e o espaço livre para o rebanho. O resultado depende do número de animais, do clima e do manejo, como mostra o estudo na PNAS. Hoje, a reserva registra mais de 700 espécies de plantas, 300 de aves e 80 de mamíferos. Ela abre ao público todos os dias, sem cobrança.
E você, conhece algum projeto parecido de restauração aqui no Brasil? Conte nos comentários qual espécie gostaria de ver de volta ao seu lugar de origem.
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