EUA endurecem sanções contra Cuba
Novas regras barram transações indiretas com entidades militares e exigem autorização para viagens de intercâmbio, conferências e negócios
O governo dos Estados Unidos ampliou nesta terça-feira, 29, as sanções contra Cuba, com novas proibições a operações financeiras e menos autorizações de viagem para americanos. As medidas foram divulgadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro.
Segundo o anúncio, ficam vedadas transações “indiretas” com entidades cubanas sancionadas, sobretudo as ligadas ao aparato de segurança e à Gaesa, conglomerado econômico das Forças Armadas da ilha.
Fim de autorizações bancárias
A OFAC também acabou com a permissão para as chamadas transações “U-Turn”. Em vigor desde 2024, ela deixava bancos dos EUA processarem pagamentos em dólares relacionados a Cuba, desde que origem e destino estivessem fora do território americano e não houvesse cidadãos dos EUA envolvidos.
Outra mudança revoga a licença que permitia aos bancos americanos “abrir e manter contas exclusivamente em nome de um cidadão cubano que fosse empreendedor independente do setor privado”.
O acesso havia sido concedido em 2024, no governo do democrata Joe Biden, como parte de ações de apoio ao setor privado ainda em formação na ilha.
Viagens dependem de autorização
As regras também restringem categorias de viagem liberadas na gestão do democrata Barack Obama. Viagens de intercâmbio cultural, conhecidas como “pessoa a pessoa” (people-to-people), além de conferências e reuniões de negócios, passam a exigir autorização prévia.
Relação deteriorada
Desde a volta de Donald Trump à Presidência, as relações entre os dois países pioraram. O republicano afirma que Cuba, situada a 150 quilômetros da costa da Flórida, representa uma “ameaça extraordinária” à segurança dos EUA. Ele já declarou mais de uma vez que pretende “assumir o controle” da ilha.
Washington quer uma mudança de regime em Havana. Desde janeiro de 2026, mantém um bloqueio de fato às exportações de petróleo para Cuba, que tem 9,4 milhões de habitantes. A restrição agravou a crise econômica e energética no país.
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