As tartarugas começam a sair antes do pico das florações e transmissores mostram seu movimento no lago Erie
Rastreamento revela que fêmeas deixam as águas abertas antes do auge sazonal das florações nocivas na bacia oeste do lago
No oeste do lago Erie, grandes florações de cianobactérias costumam atingir seu auge no fim do verão. Um estudo publicado em 2026 revelou uma coincidência intrigante: as tartarugas-mapa deixam o lago antes desse pico, deslocando-se para tributários e áreas úmidas. Os pesquisadores, porém, ressaltam que os dados ainda não demonstram que os animais estejam reagindo diretamente às florações.
Como as tartarugas-mapa foram acompanhadas no lago Erie?
A tartaruga-mapa-do-norte, Graptemys geographica, ocupa rios e grandes lagos da América do Norte. Em junho de 2022, pesquisadores capturaram dez fêmeas adultas em uma praia de nidificação de Magee Marsh, na margem sul da bacia oeste do lago Erie, no estado norte-americano de Ohio.
Transmissores acústicos e por satélite foram presos aos cascos. A telemetria acústica registrava os animais quando passavam perto de receptores submersos, enquanto os equipamentos por satélite ajudavam a acompanhá-los fora dessa rede. Duas tartarugas tiveram apenas uma detecção acústica cada e foram excluídas da análise principal.
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Quando as tartarugas-mapa deixaram as águas abertas?
Depois da nidificação, as fêmeas seguiram para áreas abertas do lago durante junho e julho. As últimas detecções no Erie ocorreram no fim de julho. Em seguida, os animais apareceram vários quilômetros rio acima em um tributário ou utilizaram áreas úmidas adjacentes, onde aparentemente passaram o inverno.
Esse calendário chamou atenção porque as florações nocivas de cianobactérias da bacia oeste normalmente aumentam durante o verão e frequentemente atingem intensidade elevada em agosto. Quando esse pico ocorreu, os pesquisadores já não detectavam as tartarugas nas águas abertas monitoradas do lago.
- Dez fêmeas receberam transmissores;
- Oito forneceram dados úteis para a análise;
- Os deslocamentos combinados chegaram a cerca de 10 a 22 quilômetros;
- As últimas detecções no lago ocorreram no fim de julho;
- Os animais retornaram à região de nidificação na primavera seguinte.
Este vídeo mostra como é a vida desse animal:
Elas realmente fogem das florações de algas nocivas?
Ainda não é possível afirmar isso. A coincidência temporal indica que o deslocamento reduz a exposição às florações no período de maior intensidade, mas não revela o estímulo responsável pela partida. Temperatura, disponibilidade de alimento, reprodução e ciclos sazonais também podem orientar os movimentos.
A própria equipe considera duas explicações compatíveis com os dados: as tartarugas podem perceber condições relacionadas à floração e evitá-las, ou podem simplesmente mudar de habitat nessa época todos os anos por outras razões. Portanto, “fuga” é uma hipótese ecológica, e não um comportamento causal já demonstrado.
O que os transmissores revelaram sobre as tartarugas-mapa?
O estudo publicado no Journal of Great Lakes Research mostrou que fêmeas adultas utilizam tanto o lago aberto quanto tributários durante diferentes partes do ano. Somando registros acústicos e por satélite, a extensão total dos movimentos individuais ficou aproximadamente entre 10 e 22 quilômetros.
Esse resultado também tem importância metodológica. Se os cientistas tivessem utilizado apenas um sistema de rastreamento, parte dos deslocamentos provavelmente teria passado despercebida. A combinação das duas técnicas revelou uma área de uso anual maior e mais diversificada do que seria inferido apenas pelas detecções dentro do lago.

Por que as florações do lago Erie representam um risco potencial?
Florações de cianobactérias podem produzir microcistinas, toxinas capazes de afetar diferentes órgãos em animais expostos. Estudos experimentais anteriores já encontraram alterações fisiológicas e imunológicas relacionadas a essas substâncias em vertebrados, inclusive efeitos sobre tartarugas de outras espécies.
Não há evidência no novo trabalho de intoxicação das fêmeas acompanhadas. Pelo contrário, o padrão observado sugere exposição limitada justamente no período de pico. A descoberta ajuda a identificar tributários e áreas úmidas como componentes importantes do habitat anual dessas tartarugas.
O que o comportamento das tartarugas-mapa significa para sua conservação?
Proteger apenas praias de nidificação ou setores do lago pode ser insuficiente para uma espécie que utiliza ambientes diferentes ao longo do ano. Tributários, áreas úmidas, corredores aquáticos e locais de inverno podem ser igualmente necessários para completar seu ciclo anual.
O estudo foi feito com um número pequeno de fêmeas adultas e não determina se machos ou indivíduos jovens apresentam o mesmo padrão. Novos anos de acompanhamento poderão revelar se a saída anterior ao pico das florações é recorrente e se mudanças na intensidade desses eventos alteram a movimentação das tartarugas.
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