Venki Ramakrishnan, biólogo molecular e prémio Nobel da Química: “Quando uma pessoa atinge os 108 anos, há apenas cerca de 50 por cento de probabilidade de viver mais um ano”
A entrevista de Venki Ramakrishnan destaca que, em idades muito avançadas, a probabilidade de sobreviver mais um ano cai drasticamente.
Envelhecer parece inevitável, mas a ciência ainda tenta entender exatamente por que o corpo perde sua capacidade de se manter funcionando com o passar das décadas.
Para o biólogo molecular e vencedor do Nobel Venki Ramakrishnan, os números ficam especialmente impressionantes nas idades extremas: aos 108 anos, a probabilidade de uma pessoa sobreviver por mais um ano gira em torno de 50%.
Por que a sobrevivência fica tão difícil após a pessoa envelhecer?
Segundo Ramakrishnan, o envelhecimento envolve uma perda gradual de funcionamento que atinge moléculas, células, tecidos e, posteriormente, o organismo como um todo. Esse processo não acontece por uma única causa, mas pela combinação de diferentes mecanismos biológicos.
A mortalidade também aumenta de maneira acentuada conforme a idade avança. Em pessoas próximas dos 100 anos, por exemplo, a chance de sobreviver a mais um ano já fica muito menor do que nas faixas etárias mais jovens.
Molecular biologist Venki Ramakrishnan says that aging is not programmed and does not serve a purpose pic.twitter.com/JQetz841iO
— Tsarathustra (@tsarnick) March 22, 2024
O que acontece no corpo durante o envelhecimento?
A busca por uma explicação para o envelhecimento levou pesquisadores a investigar processos que acontecem em praticamente todos os níveis do organismo.
Entre os principais elementos estudados estão:
A longevidade, portanto, não depende de um único mecanismo que possa simplesmente ser desligado. Ramakrishnan ressalta que o envelhecimento é um fenômeno multifatorial, o que torna qualquer tentativa de interrompê-lo extremamente complexa.
Existe um limite máximo para a vida humana?
A ciência ainda não estabeleceu um limite biológico absoluto que determine exatamente quando uma pessoa precisa morrer. Ramakrishnan observa que não existe uma lei física ou química conhecida que imponha um número específico de anos à vida humana.
Na prática, porém, a realidade é muito mais difícil. O recorde humano reconhecido está pouco acima dos 120 anos, enquanto chegar a idades ainda maiores continua sendo extremamente raro. Pesquisadores também alertam que aumentar a expectativa de vida não significa necessariamente prolongar o período de vida saudável.
Assista na entrevista abaixo do canal “The Royal Institution” onde Ramakrishnan fala sobre a busca da imortalidade.
A ciência pode fazer as pessoas viverem muito mais após envelhecer?
O avanço da pesquisa sobre envelhecimento abriu espaço para medicamentos e tratamentos capazes de interferir em mecanismos relacionados à longevidade. O objetivo de muitos cientistas, entretanto, não é simplesmente acrescentar anos à existência, mas aumentar o período em que uma pessoa permanece saudável.
Ramakrishnan é cético em relação às promessas de extensão extrema da vida. Para ele, transformar avanços experimentais em uma tecnologia segura e eficaz capaz de prolongar a vida por centenas de anos exigiria superar obstáculos biológicos que ainda estão longe de ser solucionados.

O que os 108 anos revelam sobre a longevidade?
A marca dos 108 anos ajuda a ilustrar como a sobrevivência humana muda radicalmente nas idades extremas. Mesmo quando uma pessoa alcança uma longevidade extraordinária, cada ano adicional passa a representar um desafio biológico cada vez maior.
O trabalho de pesquisadores como Ramakrishnan mostra que a verdadeira fronteira da longevidade talvez não esteja apenas em descobrir como viver mais, mas em compreender como preservar o funcionamento do organismo durante esse tempo.
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