Uma ponte destruída pela guerra voltou a cruzar o rio: reconstrução de Mostar recuperou um marco otomano do século XVI
Cerca de 30% da pedra reconstruída veio de blocos originais recuperados do leito do rio Neretva

O que você vai ver
- Por que o sultão Solimão mandou construir a ponte original.
- Como a Stari Most foi destruída durante o conflito dos anos 1990.
- Como a reconstrução seguiu a documentação histórica original.
- Quanto da pedra original voltou a fazer parte da ponte reconstruída.
- Por que o conjunto urbano ao redor da ponte também importa.
Uma ponte destruída pela guerra voltou a cruzar o rio Neretva, e a reconstrução da Stari Most, em Mostar, recuperou um marco de engenharia otomana erguido originalmente no século 16, hoje símbolo direto de reconciliação para toda a região dos Bálcãs.
Por que o sultão Solimão mandou construir a ponte original?
O sultão otomano Solimão, o Magnífico, encomendou a construção da Stari Most para substituir uma ponte suspensa de madeira que balançava sobre o rio Neretva, estrutura anterior considerada instável demais para o volume de tráfego que a cidade de Mostar já recebia naquele período.
Segundo a Britannica, o projeto ficou a cargo de Mimar Hajrudin, discípulo do célebre arquiteto otomano Mimar Sinan, e a construção da nova ponte de pedra levou cerca de nove anos até sua conclusão em 1566, obra que se tornaria uma das referências mais importantes da arquitetura islâmica erguida nos Bálcãs.
Flyover footage over #Mostar and its iconic Stari Most, a rebuilt 16th-century Ottoman bridge. 🇧🇦pic.twitter.com/a0Zwo1hGgy
— Bosnian History (@BosnianHistory) June 7, 2023
Como a Stari Most foi destruída durante o conflito dos anos 1990?
A ponte permaneceu de pé por 427 anos, até ser destruída em 9 de novembro de 1993 por forças croatas durante a guerra croata-bosníaca, episódio que foi filmado e transmitido ao vivo internacionalmente, tornando-se um dos atos de destruição cultural mais reconhecidos globalmente durante todo o conflito na antiga Iugoslávia.
Essa destruição registrada em tempo real transformou a queda da Stari Most num símbolo direto da violência sofrida pela própria cidade de Mostar durante a guerra, imagem que circulou amplamente pelo mundo e reforçou a urgência de uma futura reconstrução fiel ao projeto original da ponte otomana.
Como a reconstrução seguiu a documentação histórica original?
A reconstrução da Stari Most, supervisionada pela Unesco, começou em 2001 e seguiu um plano rigoroso baseado em documentação histórica detalhada, priorizando o uso do mesmo tipo de pedra calcária Tenelija extraída da pedreira original e das mesmas técnicas otomanas de construção a seco empregadas séculos antes.
Esse compromisso com fidelidade técnica ao projeto original buscava garantir que a ponte reconstruída não fosse apenas uma réplica visual, mas uma recuperação real do método construtivo otomano usado inicialmente, abordagem que exigiu recrutar especialistas capazes de reproduzir técnicas de cantaria praticamente em desuso na construção civil contemporânea.
Quanto da pedra original voltou a fazer parte da ponte reconstruída?
Cerca de 30% da pedra usada na ponte reconstruída é composta por blocos originais recuperados diretamente do leito do rio Neretva, onde permaneceram submersos desde a destruição de 1993, reaproveitamento que conecta fisicamente a nova estrutura à ponte otomana original erguida no século 16.
Esse percentual de material genuinamente recuperado reforça o caráter simbólico da reconstrução, já que a nova Stari Most não é apenas uma cópia fiel em termos de forma e técnica, mas também incorpora, de maneira literal, fragmentos físicos sobreviventes da própria ponte destruída durante o conflito.
Stari most , the arch bridge at the city of Mostar ( Bosnia ) over river Neretva was commissioned by Suleiman the Magnificent in 1557
— Raja Bro (@PinguSinatra) January 20, 2022
The bridge connects the old & the new . pic.twitter.com/Io4pZlsW07
Por que o conjunto urbano ao redor da ponte também importa?
A área da Ponte Velha na cidade antiga de Mostar foi reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial em 2005, reconhecimento que abrange não apenas a estrutura da ponte em si, mas todo o conjunto urbano ao redor, marcado por influências otomanas, mediterrâneas e europeias acumuladas ao longo de séculos de história compartilhada.
Esse reconhecimento mais amplo reforça que o valor de Mostar está tanto na própria ponte reconstruída quanto no tecido urbano que a cerca, testemunho de convivência entre diferentes tradições culturais que a guerra tentou romper, mas que a reconstrução cuidadosa ajudou a reafirmar como patrimônio compartilhado da cidade.
- Solimão, o Magnífico, encomendou a Stari Most para substituir uma ponte de madeira instável sobre o rio Neretva.
- A ponte original, concluída em 1566, foi destruída por forças croatas em 1993, durante a guerra.
- A reconstrução, concluída em 2004, usou a mesma pedra e as mesmas técnicas otomanas originais.
- Cerca de 30% da pedra reconstruída veio de blocos originais recuperados do leito do rio.
Rituais funerários que também revelam singularidades sem paralelo conhecido aparecem no relato sobre a tumba trácia de Sveshtari e suas dez cariátides descobertas em 1982.
Mais detalhes sobre a Stari Most estão disponíveis no site oficial da Unesco.
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