Japão alerta de novo contra iene fraco e mercado reage
Iene sobe a 156,51 por dólar após Mimura pedir que o mercado leve a sério o alerta de Tóquio e Washington contra a moeda fraca
A moeda japonesa, o iene, subiu até 0,4% e chegou a 156,51 por dólar nesta segunda-feira (28), a cotação mais forte desde 18 de setembro, depois que Atsushi Mimura, principal autoridade cambial do Japão, pediu que o mercado leve a sério o aviso dado por Tóquio e Washington contra a fraqueza da moeda.
Em entrevista à Reuters, Mimura disse que a mensagem foi muito clara e disse que acompanhará se os mercados continuarão reagindo ao aviso.
O aviso veio na semana passada. Segundo a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, o presidente americano, Donald Trump, manifestou preocupação com a desvalorização do iene em encontro com a primeira-ministra Sanae Takaichi.
Na sexta-feira (25), Katayama e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, conversaram por telefone e reafirmaram que, de fato, a desvalorização da moeda japonesa preocupa. Mimura não quis dizer se o Japão voltará a comprar ienes no mercado, sozinho ou com os americanos.
Afirmou não estar preocupado com uma eventual falta de recursos para isso, argumento de parte dos investidores, e se disse nem satisfeito nem tranquilo com os movimentos recentes da moeda. A última ação conjunta dos dois países ocorreu em 31 de julho.
A fraqueza do iene pesa porque encarece as importações, inclusive de energia, e o Japão depende do exterior para se abastecer.
O Banco do Japão elevou os juros de 1,0% para 1,25% em 18 de setembro, o maior nível desde 1995, em votação de 7 a 2. Foi o segundo aumento em três meses, ritmo mais rápido que o intervalo de seis meses anterior.
A ata da reunião de 30 e 31 de julho, divulgada nesta segunda-feira, mostra que o banco já via espaço para novas altas, com a inflação subjacente perto de 2%. Os juros foram mantidos em 1,0% por 8 votos a 1, e o conselheiro Hajime Takata defendeu 1,25%.
O documento registra que a inflação ao consumidor sem alimentos frescos estava em cerca de 1,5% ao ano, influenciada por medidas do governo para reduzir o custo da energia para as famílias.
Sem esses efeitos, alguns membros estimaram que o índice ficaria entre 2,5% e 3,0%. Já o índice de preços ao produtor seguia acima de 7% em 12 meses.
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