O fundo do oceano recebeu carbono de organismos minúsculos demais para liderar a conta: armadilhas a 1.000 metros mudam modelo antigo
O carbono de cianobactérias se perde menos ao longo do trajeto até o fundo, compensando o tamanho reduzido

O que você vai ver
- Como funciona a bomba biológica de carbono no oceano.
- O que as armadilhas de sedimento a 1.000 metros capturaram.
- Por que se esperava que micróbios maiores dominassem essa conta.
- Por que o carbono das cianobactérias se perde menos no caminho.
- Por que isso muda os modelos climáticos que dependem do oceano.
O fundo do oceano recebeu boa parte de seu carbono de organismos considerados minúsculos demais para liderar essa conta, e armadilhas de sedimento posicionadas a 1.000 metros de profundidade no Mar do Sul da China estão mudando um modelo científico usado há décadas sobre quem realmente sustenta esse transporte.
Como funciona a bomba biológica de carbono no oceano?
A bomba biológica de carbono é o processo pelo qual carbono orgânico produzido perto da superfície do oceano é transportado até o fundo, onde costuma permanecer armazenado por centenas ou milhares de anos, mecanismo que representa uma das principais formas de sequestro natural de carbono presentes nos oceanos do planeta.
Esse processo depende diretamente da atividade de organismos fotossintetizantes que vivem próximos à superfície, capazes de capturar carbono da atmosfera e, eventualmente, de forma direta ou indireta, contribuir para que parte desse material orgânico afunde até camadas mais profundas da coluna d’água oceânica.

O que as armadilhas de sedimento a 1.000 metros capturaram?
Pesquisadores usaram armadilhas de sedimento posicionadas a 1.000 metros de profundidade no Mar do Sul da China, combinadas com anos de observações sobre comunidades de fitoplâncton na superfície, para medir diretamente qual tipo de organismo estava associado ao carbono efetivamente capturado naquela profundidade.
Segundo o phys.org, essas medições revelaram que cerca de dois terços do carbono sequestrado naquela profundidade específica estava associado a cianobactérias, organismos consideravelmente menores do que outros grupos de fitoplâncton tradicionalmente vistos como os principais responsáveis pelo transporte de carbono até o fundo do oceano.
Por que se esperava que micróbios maiores dominassem essa conta?
Cientistas presumiam anteriormente que fitoplânctons eucariontes de maior porte seriam mais eficientes do que cianobactérias minúsculas para exportar carbono até o fundo do oceano, suposição baseada na ideia intuitiva de que partículas maiores afundariam com mais eficiência e perderiam menos massa ao longo do trajeto até as profundezas.
Essa expectativa fazia sentido dentro de uma lógica puramente física de afundamento, mas não considerava adequadamente outros fatores biológicos e químicos que influenciam o quanto do carbono originalmente produzido na superfície realmente sobrevive intacto até alcançar profundidades como os 1.000 metros medidos nesta pesquisa específica.
Por que o carbono das cianobactérias se perde menos no caminho?
A principal razão para o papel maior das cianobactérias é que boa parte do carbono proveniente de microalgas eucariontes se perde ao longo do trajeto até o fundo do oceano, processo em que esse material orgânico é decomposto ou consumido antes de conseguir alcançar profundidades maiores, enquanto o carbono de origem em cianobactérias não sofre essa mesma perda proporcional.
Essa diferença na taxa de perda ao longo do trajeto explica por que, mesmo sendo organismos individualmente muito menores, as cianobactérias conseguem contribuir com uma fração maior do carbono que efetivamente chega ao fundo, resultado que depende mais da eficiência de todo o processo de transporte do que apenas do tamanho inicial de cada organismo na superfície.

Por que isso muda os modelos climáticos que dependem do oceano?
Essa descoberta muda modelos climáticos porque a bomba biológica de carbono é considerada uma das principais fontes de sequestro de carbono nos oceanos, e atribuir corretamente qual grupo de organismos realmente sustenta esse processo é essencial para prever com precisão a capacidade futura dos oceanos de continuar absorvendo carbono da atmosfera.
Reconhecer o papel maior das cianobactérias, historicamente subestimado nesses cálculos, pode ajudar a refinar simulações climáticas que dependem de estimativas precisas sobre o ciclo do carbono oceânico, especialmente à medida que mudanças na temperatura e na composição química dos oceanos alterem, no futuro, o equilíbrio entre diferentes grupos de fitoplâncton responsáveis por esse transporte.
- A bomba biológica de carbono transporta carbono da superfície até o fundo do oceano, onde pode ficar armazenado por milênios.
- Armadilhas de sedimento a 1.000 metros no Mar do Sul da China mediram a origem desse carbono capturado.
- Cerca de dois terços do carbono estava associado a cianobactérias, não a fitoplânctons maiores como se presumia.
- O carbono de cianobactérias se perde menos ao longo do trajeto, compensando seu tamanho individual reduzido.
Regiões consideradas relativamente seguras que se revelam pontos inesperados de mudança acelerada também aparecem no relato sobre o hotspot de calor extremo identificado no centro-norte da Amazônia.
Mais detalhes sobre o papel das cianobactérias no sequestro de carbono estão disponíveis no site oficial do Phys.org.
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