Mais de 1 milhão de pneus foram jogados no mar para criar um recife; e agora a Flórida paga mergulhadores para puxá-los manualmente
Na época, os pneus pareciam uma solução para dois problemas ao mesmo tempo
Durante os anos 1970, entre 1 milhão e 2 milhões de pneus foram lançados no mar diante do condado de Broward, na Flórida, com a intenção de criar um recife artificial e ampliar o habitat para peixes.
Décadas depois, a estratégia se transformou em um enorme problema ambiental: pneus se espalharam pelo fundo do mar, atingiram recifes naturais e agora precisam ser retirados por mergulhadores.
Por que tantos pneus foram jogados no mar?
Na época, os pneus pareciam uma solução para dois problemas ao mesmo tempo. Eles eram baratos, abundantes e poderiam servir de estrutura para organismos marinhos, enquanto também deixavam de ocupar espaço em aterros.
O projeto foi autorizado na década de 1970 e envolveu o lançamento de centenas de milhares de pneus. Como os registros históricos são incompletos, a estimativa oficial atual varia entre 1 milhão e 2 milhões de unidades.
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O que deu errado com o recife artificial?
O principal problema foi a instabilidade dos pneus. Presos inicialmente em grandes conjuntos, muitos se soltaram após as estruturas de contenção falharem. Correntes, tempestades e furacões espalharam o material pelo fundo do oceano.
Em vez de permanecerem formando um recife, alguns pneus passaram a se deslocar e atingir áreas de coral. O próprio Departamento de Proteção Ambiental da Flórida concluiu que a instabilidade demonstrou que os pneus não eram adequados para esse tipo de recife artificial.
Quantos pneus já foram retirados do fundo do mar?
A remoção em grande escala começou depois de diferentes operações experimentais e militares.
Desde 2015, empresas especializadas em mergulho passaram a trabalhar diretamente na retirada dos pneus. Os números ajudam a dimensionar o tamanho da operação:
Quantos pneus já foram retirados do fundo do mar?
Décadas depois do descarte, uma gigantesca operação continua retirando pneus do oceano.
Cada unidade precisa ser localizada, retirada e transportada até a superfície. Em algumas áreas, a presença de organismos marinhos torna o trabalho ainda mais delicado.
Por que a retirada pode durar até 2038?
O problema revelou-se muito maior do que os levantamentos iniciais indicavam. Uma cartografia realizada posteriormente apontou pneus espalhados por mais de 2.400 hectares, ao longo de mais de 8 quilômetros da costa, abrangendo quatro linhas de recifes.
O plano de restauração prevê aproximadamente 14 anos de trabalhos, com conclusão projetada para o exercício de 2037-2038. A estimativa apresentada em 2024 chegava a US$ 137 milhões, incluindo a retirada dos pneus e a restauração de corais afetados.
Existe ainda uma situação inesperada: alguns pneus passaram a abrigar corais. Por isso, antes da remoção, equipes precisam retirar cuidadosamente essas colônias e transferi-las para áreas naturais. Até maio de 2024, cerca de 1.400 colônias haviam sido destacadas dos pneus, com 1.013 replantadas em recifes naturais.
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