Uma ave de 11,6 milhões de anos saiu de uma mina de argila na Baviera e ajudou a revelar uma espécie de águia desconhecida
Fósseis raros de aves ampliaram o retrato do ecossistema fluvial de Hammerschmiede e revelaram novas espécies do Mioceno
Na antiga mina de argila de Hammerschmiede, perto de Pforzen, na Baviera, sedimentos fluviais com cerca de 11,6 milhões de anos preservaram fósseis raros de aves. As aves de Hammerschmiede ampliaram um retrato antes dominado por mamíferos e revelaram seis formas adicionais, entre elas dois táxons novos para a ciência. Um pequeno osso da perna foi suficiente para reconhecer Mioaetus pforzenensis, uma ave de rapina desconhecida até então.
O que as aves de Hammerschmiede revelaram sobre esse ecossistema?
Hammerschmiede preserva depósitos do início do Mioceno Superior. A camada HAM 5 tem aproximadamente 11,62 milhões de anos, enquanto HAM 4 é um pouco mais recente, com cerca de 11,44 milhões de anos. Os sedimentos foram depositados em rios e planícies aluviais que abrigavam uma fauna excepcionalmente diversa.
Cerca de 50 mil fósseis de 161 espécies de vertebrados já foram identificados no sítio. Aves representam apenas uma pequena parcela dos ossos encontrados, razão pela qual cada novo exemplar acrescenta informações importantes sobre alimentação, voo e estrutura das antigas comunidades.
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Que aves apareceram nos novos fósseis?
O estudo descreveu restos de corvos-marinhos, uma ave mergulhadora aparentada aos mergulhões, um pequeno andorinhão e uma ave de rapina. Entre as novidades está Bavaricarbo brevirostris, um corvo-marinho de bico curto pertencente a uma linhagem mais basal que os representantes modernos.
Também apareceu Mioaetus pforzenensis, conhecido principalmente por um tarsometatarso, osso da parte inferior da perna. Sua anatomia difere da encontrada nas aves de rapina atuais e apresenta algumas semelhanças funcionais com formas que capturam peixes.
- Dois tipos de corvo-marinho;
- Uma ave mergulhadora semelhante aos mergulhões;
- O pequeno andorinhão Apus cf. gaillardi;
- A nova águia Mioaetus pforzenensis;
- Outros restos de aves ainda incompletos.
Por que um único osso pôde revelar uma nova águia?
O tarsometatarso das aves reúne características relacionadas à sustentação, locomoção e captura de presas. Quando pesquisadores comparam forma, proporções e superfícies articulares com espécies atuais e fósseis, diferenças consistentes podem indicar uma linhagem anteriormente desconhecida.
No caso de Mioaetus pforzenensis, os autores estimaram envergadura superior a um metro. A morfologia sugere possível adaptação à captura de peixes com as garras, mas essa dieta é uma interpretação funcional, não uma observação direta do comportamento do animal.
Como as aves de Hammerschmiede foram identificadas cientificamente?
Gerald Mayr, Thomas Lechner e Madelaine Böhme compararam os ossos com esqueletos de aves atuais e fósseis, buscando caracteres diagnósticos. A análise reuniu elementos do crânio, asas e pernas, mesmo quando os indivíduos estavam representados por peças isoladas.
O estudo publicado no Swiss Journal of Palaeontology descreveu Bavaricarbo brevirostris e Mioaetus pforzenensis como novos gênero e espécie. Os autores também registraram uma segunda espécie de corvo-marinho ainda sem nome formal.

Por que tantos animais daquele rio parecem ter comido peixes?
As novas aves se juntam a uma fauna já conhecida de predadores aquáticos. Hammerschmiede possui registros de Anhinga pannonica, lontras, focas, tartarugas, grandes salamandras e diversos peixes predadores. Isso sugere uma cadeia alimentar fluvial particularmente rica.
Os pesquisadores interpretam essa abundância como sinal de elevada disponibilidade de peixes e outros recursos aquáticos. A presença de vários predadores não prova que todos competiam diretamente, pois diferenças de tamanho, profundidade de mergulho e técnicas de captura podiam reduzir a sobreposição ecológica.
Por que as aves de Hammerschmiede são importantes para o Mioceno europeu?
A maioria dos estudos do sítio concentrou-se em mamíferos, incluindo os primatas Danuvius guggenmosi e Buronius manfredschmidi. As aves acrescentam uma camada diferente, revelando consumidores de peixes, insetos e outros recursos que não aparecem com a mesma clareza no registro de mamíferos.
Esses fósseis também mostram os limites da reconstrução paleontológica. Um osso pode identificar uma espécie e sugerir hábitos, mas não reproduz sozinho toda a ecologia do animal. A combinação de aves, mamíferos, peixes e répteis é que permite reconstruir com maior segurança o antigo ambiente fluvial bávaro.
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