Antes das mensagens de “amor”, Alcolumbre negou dinheiro de Vorcaro
Presidente do Senado havia afirmado em junho que nunca recebeu valores do ex-banqueiro no Brasil ou no exterior
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), voltou ao centro do escândalo envolvendo o Banco Master após mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro revelarem a proximidade entre os dois.
Os diálogos, divulgados pela revista Veja na última quinta-feira, 24, mostram Alcolumbre tratando Vorcaro com intimidade. Em uma das conversas, o senador chama o ex-banqueiro de “meu amor” e afirma: “Sou seu irmão. Pra vida toda”. Vorcaro responde: “E eu seu. A qualquer tempo pra qualquer coisa. Nunca vou esquecer”.
O conteúdo também aponta que as mensagens registram contatos entre os dois sobre encontros privados, autoridades e assuntos relacionados ao ambiente político.
A resposta de Alcolumbre
Após a divulgação das conversas, a assessoria de Alcolumbre classificou a reportagem como um “injusto ataque” e afirmou que a utilização das mensagens representa “sensacionalismo barato”.
Segundo a manifestação, as conversas têm caráter pessoal e “não indicam ilegalidade alguma”. A assessoria também afirmou que a revista não procurou o senador antes da publicação e informou que serão adotadas medidas judiciais.
Negativa anterior
Em junho deste ano, Alcolumbre já havia negado publicamente qualquer recebimento de dinheiro de Vorcaro.
Em pronunciamento no Senado, em 16 de junho, o presidente da Casa rebateu uma reportagem que mencionava o suposto pagamento de 30 milhões de dólares e afirmou:
“Jamais recebi aqueles valores ou quaisquer outros, no Brasil ou no exterior, por qualquer motivo que seja. São alegações inteiramente falsas, com a única e aparente intenção de arrastar para a lama o meu nome, a minha honra, a minha reputação.”
A reportagem da Veja publicada nesta quinta-feira voltou a mencionar a proposta de colaboração apresentada pela defesa de Vorcaro à Polícia Federal, na qual o ex-banqueiro teria se oferecido para falar sobre supostos pagamentos a Alcolumbre. O acordo, segundo a publicação, não foi aceito.
Relações espúrias
Para o cientista político Roberto Beijato Júnior, professor da PUC-SP, as novas mensagens ampliam o debate sobre a relação entre agentes públicos e interesses privados no caso Master.
“O que essas mensagens revelam, e todo o caso Master revela, é uma teia de relações espúrias entre agentes privados e agentes do alto escalão de todos os poderes, executivo, legislativo e judiciário.”
Segundo Beijato, o episódio também reforça a necessidade de mudanças nas regras do Senado para impedir que a instalação de uma CPI fique condicionada à decisão individual do presidente da Casa.
“Teria que se ter uma reforma para que, havendo adesão de um quórum qualificado de senadores, a pauta ir forçosamente a plenário. Isso é votada.”
O cientista político afirma ainda que o caso Master expôs relações que, em sua avaliação, ultrapassam os limites institucionais esperados entre agentes públicos e empresários.
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