Pedras de 25 toneladas viajaram pelo menos 18 quilômetros e origem dos gigantes Devil’s Arrows finalmente é rastreada
Impressões digitais minerais ligaram os monólitos de Yorkshire a Brimham Rocks e descartaram a principal explicação baseada em transporte glacial
Três enormes pilares de arenito erguidos perto de Boroughbridge, no norte da Inglaterra, guardaram durante séculos uma dúvida básica: de onde veio tanta pedra? Um estudo publicado em 2026 identificou a origem geológica dos Devil’s Arrows em Brimham Rocks, cerca de 18 quilômetros a oeste. As análises de minerais também enfraquecem a hipótese de transporte glacial e indicam que comunidades pré-históricas deslocaram deliberadamente blocos com mais de 25 toneladas por uma distância extraordinária.
Como os Devil’s Arrows foram ligados a Brimham Rocks?
Os pesquisadores analisaram minúsculos cristais de zircão e apatita preservados dentro dos monumentos. Esses minerais possuem idades radiométricas diferentes conforme a história geológica das rochas que os originaram, funcionando como uma espécie de impressão digital da fonte.
A distribuição dessas idades combinou com amostras de Brimham Rocks, e não com Plumpton Rocks, local mais próximo anteriormente considerado a origem provável. Os três monólitos são formados por Millstone Grit, um arenito muito diferente das rochas sobre as quais estão atualmente erguidos.
Como os cientistas estudaram pedras protegidas sem danificá-las?
A equipe desenvolveu uma técnica de amostragem de baixo impacto usando material adesivo para retirar grãos microscópicos da superfície. Isso permitiu aplicar datação urânio-chumbo aos minerais sem remover grandes pedaços dos monumentos, uma vantagem importante para estruturas arqueológicas protegidas.
O método foi combinado com amostras das possíveis áreas de origem e reconstruções do movimento de antigas geleiras. A direção conhecida do gelo regional não oferece uma explicação adequada para transportar material de Brimham Rocks até Boroughbridge, favorecendo a interpretação de deslocamento humano.
- Coleta de minerais com técnica pouco invasiva;
- Análise de zircão e apatita;
- Datação pelo método urânio-chumbo;
- Comparação com afloramentos regionais;
- Reconstrução das antigas direções glaciais.
Este vídeo apresenta a nova pesquisa sobre a origem dos monumentos.
Quanto esforço foi necessário para mover os Devil’s Arrows?
Cada uma das maiores pedras pesa mais de 25 toneladas, e os três pilares sobreviventes alcançam alturas próximas de sete metros. A distância em linha entre Brimham Rocks e o monumento é de aproximadamente 18 quilômetros, mas a rota efetivamente percorrida pode ter sido maior.
O estudo não descobriu como os construtores fizeram o transporte. Trenós, roletes, cordas, preparação de caminhos e força coletiva são possibilidades frequentemente discutidas para outros monumentos megalíticos, mas atribuir qualquer método específico aos Devil’s Arrows sem evidência direta seria especulativo.
Quando essas enormes pedras foram erguidas?
A idade exata do monumento continua incerta. Os pesquisadores situam sua construção provavelmente no Neolítico Final ou no início da Idade do Bronze, possivelmente em torno de 2000 a.C. Os três pilares sobreviventes formam hoje uma linha irregular com aproximadamente 174 metros de extensão.
O estudo publicado na Proceedings of the Royal Society A também destaca que registros históricos sugerem que o alinhamento original possuía pelo menos cinco pedras, talvez mais. A pesquisa identificou ainda uma provável reutilização de material de um monólito desaparecido na chamada Battle Cross, em Aldborough.

Por que os Devil’s Arrows não foram feitos com pedras mais próximas?
Esse é um dos aspectos mais intrigantes. Existiam fontes adequadas de arenito mais perto de Boroughbridge, mas os construtores aparentemente selecionaram material vindo de uma paisagem mais distante e difícil. A escolha sugere que conveniência não foi o único critério para a construção.
Os autores consideram possível que Brimham Rocks tivesse significado cultural ou paisagístico para essas comunidades, mas essa interpretação permanece uma hipótese. A geologia pode demonstrar a procedência do material; não consegue revelar sozinha os motivos sociais, religiosos ou simbólicos da escolha.
O que a descoberta revela sobre os construtores pré-históricos?
Mover blocos tão grandes por pelo menos 18 quilômetros exigiria planejamento, mão de obra coordenada e conhecimento prático sobre terreno e transporte. Mesmo sem saber a técnica utilizada, a procedência demonstra que essas comunidades eram capazes de organizar projetos de grande escala.
A descoberta também muda a leitura do monumento: os pilares não eram simplesmente pedras disponíveis nas proximidades. Eles foram selecionados em outra paisagem e levados até Boroughbridge, transformando o próprio deslocamento em parte importante da história arqueológica que os Devil’s Arrows preservam.
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