Taylor Swift agora também virou um gênero de insetos e cientistas batizam espécies australianas inspiradas nos álbuns da cantora
Novo gênero australiano reúne quatro espécies batizadas em homenagem à cantora e a três de seus álbuns
Taylor Swift ganhou uma homenagem incomum na taxonomia. Entomólogas descreveram 12 novas espécies australianas de percevejos-das-plantas e criaram cinco novos gêneros, entre eles Swiftiephylus, batizado em referência aos fãs da cantora. Quatro espécies desse gênero receberam nomes ligados diretamente à artista e a três de seus álbuns. Os insetos pertencem à família Miridae e foram reconhecidos depois que pesquisadores reexaminaram centenas de exemplares coletados na Austrália anos antes.
Como nasceu o gênero Swiftiephylus?
O trabalho foi conduzido por Sarah Schroeder e Christiane Weirauch, da Universidade da Califórnia em Riverside, e publicado em setembro de 2026 na revista Insect Systematics & Evolution. As pesquisadoras examinaram 593 exemplares coletados em diferentes partes da Austrália entre 1995 e 2004.
O nome combina “Swiftie”, termo usado pelos fãs de Taylor Swift, com “Phylus”, elemento tradicionalmente empregado em nomes de grupos relacionados desses percevejos. A escolha também dialoga com a aparência dos animais, que apresentam tonalidade amarelo-clara e detalhes avermelhados.
Quais espécies de Swiftiephylus receberam nomes inspirados na cantora?
Quatro espécies foram associadas diretamente a Taylor Swift. Swiftiephylus taylorae homenageia a própria artista, enquanto S. amator, S. intrepidus e S. poetorum remetem, respectivamente, a Lover, Fearless e The Tortured Poets Department.
Os nomes são formas latinizadas de “Taylor”, “amante”, “destemido” e “poetas”. Segundo Schroeder, a homenagem nasceu de sua ligação pessoal com a música da cantora e também da intenção de chamar atenção para a diversidade de insetos ainda pouco documentada.
- Swiftiephylus taylorae, em homenagem a Taylor Swift;
- Swiftiephylus amator, inspirado em Lover;
- Swiftiephylus intrepidus, inspirado em Fearless;
- Swiftiephylus poetorum, inspirado em The Tortured Poets Department.
Este vídeo mostra a pesquisadora explicando a escolha dos nomes.
Que tipo de inseto é o Swiftiephylus?
Esses animais pertencem à família Miridae, o maior grupo de percevejos verdadeiros, com mais de 11 mil espécies descritas globalmente. As novas espécies são pequenas, herbívoras e associadas a árvores e arbustos conhecidos na Austrália como she-oaks, especialmente dos gêneros Casuarina e Allocasuarina.
Muitos mirídeos mantêm relações estreitas com determinadas plantas hospedeiras durante grande parte do ciclo de vida. No caso das espécies estudadas, a semelhança de coloração entre diferentes linhagens pode representar evolução convergente favorecendo camuflagem entre estruturas das plantas.
Como os cientistas descobriram que eram espécies diferentes?
A aparência externa não foi suficiente. As pesquisadoras combinaram características morfológicas com informações sobre plantas hospedeiras e hipóteses filogenéticas obtidas por dados moleculares. O trabalho completo reconheceu 12 espécies e cinco novos gêneros dentro da subfamília Phylinae.
No artigo publicado em Insect Systematics & Evolution, as autoras descrevem Swiftiephylus, Umbraphylus, Casuaphylus, Luxiphylus e Pseudophytocoris. A criação desses grupos reflete diferenças evolutivas que não seriam evidentes apenas pela coloração semelhante.

Por que Swiftiephylus também chama atenção para os museus?
Os insetos não foram coletados em 2026. Eles estavam preservados em coleções zoológicas depois de campanhas realizadas décadas antes. O material fazia parte de um esforço australiano que reuniu milhares de exemplares, muitos ainda aguardando identificação detalhada.
Esse caso mostra por que museus funcionam como arquivos de biodiversidade. Espécies desconhecidas podem permanecer durante anos em gavetas até que novas perguntas, especialistas e técnicas permitam reconhecê-las formalmente e incorporá-las ao conhecimento científico.
Por que nomear Swiftiephylus pode ajudar a conservação?
A taxonomia é a base para reconhecer oficialmente uma espécie, mapear sua distribuição e avaliar possíveis ameaças. Sem identificação formal, populações distintas podem permanecer invisíveis para estudos ecológicos e políticas de conservação.
Schroeder afirmou que usar um nome conhecido pode levar pessoas que normalmente não acompanham entomologia a prestar atenção nesses animais. A homenagem, portanto, vai além da cultura pop: transforma Swiftiephylus em uma porta de entrada para discutir a enorme diversidade de insetos ainda sem descrição científica.
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