Missão critica último debate: “Reduz o espaço para novas forças políticas”
Partido contesta ausência de Renan Santos no encontro de 1º de outubro e questiona critério usado para definir convidados
O partido Missão criticou nesta quinta-feira, 24, a decisão da TV Globo de não convidar Renan Santos para o último debate presidencial antes do primeiro turno, marcado para 1º de outubro.
Em nota oficial, a legenda afirmou que limitar o encontro a quatro candidaturas “reduz o espaço para novas forças políticas” e questionou o critério adotado pela emissora para definir os participantes.
Foram convidados para o debate apenas o presidente Lula (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL), o escritor Augusto Cury (Avante) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).
A obrigação legal é convidar os candidatos cujos partidos, federações ou coligações tenham representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional. A emissora pode convidar outros candidatos também. A nota da Missão relembra que, em 2022, foram chamados candidatos para além dos obrigatórios.
“O Partido Missão manifesta sua profunda discordância com a decisão da TV Globo de não convidar Renan Santos para o último debate presidencial antes do primeiro turno das eleições de 2026 Renan Santos vem aparecendo entre os principais candidatos à Presidência em diferentes levantamentos ao longo da campanha”, inicia a nota.
“Nas pesquisas Atlas/Bloomberg divulgadas em julho, Renan apareceu na terceira colocação, com 7,8% das intenções de voto. Em setembro, duas rodadas da Paraná Pesquisas voltaram a colocá-lo em terceiro lugar, desta vez com 11%. Ainda assim, Renan Santos não está entre os quatro candidatos convidados pela TV Globo para o debate de 1º de outubro”.
Para o partido, a decisão “contrasta com a postura adotada pela própria emissora nas eleições de 2022. Naquele ano, SETE candidatos participaram do debate presidencial da Globo: Lula, Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Simone Tebet, Soraya Thronicke, Felipe d’Avila e Padre Kelmon”.
A nota ressalta que, quatro anos depois, “a emissora optou por restringir o debate a quatro candidaturas, utilizando como referência o critério de representação parlamentar previsto na legislação eleitoral”.
O recorte escolhido, nas palavras da legenda, “reduz o espaço para novas forças políticas no principal debate presidencial da televisão brasileira e dificulta que o eleitor tenha contato direto com candidaturas que vêm conquistando espaço durante a campanha”.
Se em 2022 havia espaço para sete nomes, pontua, “é legítimo questionar por que, em 2026, o debate foi limitado a apenas quatro”. “A Missão defende transparência na definição dos participantes. O debate público deve ser espaço para apresentar ideias, confrontar propostas e permitir que o brasileiro conheça as candidaturas que disputam seu voto”, conclui a nota.
Aliados divergem sobre ida de Lula
A participação de Lula no último debate presidencial divide aliados do presidente no Congresso. Enquanto parte da base defende que o petista compareça ao encontro da TV Globo, outros avaliam que ele deve ficar de fora. A coordenação da campanha ainda não decidiu se Lula participará, conforme apurou O Antagonista.
Entre os que defendem a presença, está o deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ), que disse ter discutido pessoalmente o assunto com Lula há cerca de um mês.
“Eu sou daqueles que acha que [participar do debate eleitoral] é um dever democrático e de qualidade política, para elevar o nível de consciência da nossa população. E, por isso, candidatos devem participar de debates. Claro, não pode ter um debate todo dia”, pontuou o parlamentar à reportagem.
“O Lula me disse há cerca de um mês, quando eu, inclusive, falei dessa minha compreensão de participação em debates, que ‘Poxa, sabe quantos eu tenho? Convite para 33. Não vou fazer outra coisa’. Então, selecionar. Claro, os que têm mais espectadores, os veículos com mais alcance, mas não comparecer nem no da Globo, às vésperas da eleição, é ruim, a meu ver”.
Para o parlamentar, “tem que comparecer e apresentar os seus argumentos“. “Tem o que dizer, sabe dizer, tem o que mostrar, saberá mostrar. Ele inclusive às vezes fala ‘Vai ser eu só apanhando de todos os outros’. Ele deve dizer ‘olha, eu sei que os outros estão aqui para me atacar, mas eu quero apresentar o que fizemos e as nossas propostas de futuro. Podem bater à vontade aí, ficar se esgoelando, porque eu só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder com vocês’”.
Os deputados federais Márcio Jerry (PCdoB-MA) e Alencar Santana (PT-SP) também disseram a O Antagonista que, em sua avaliação, Lula deveria participar do debate da Globo.
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