Onze igrejas foram esculpidas para baixo na rocha: Lalibela transformou uma montanha etíope em uma Jerusalém medieval
Bete Giyorgis, esculpida em formato de cruz, é a mais reconhecível das onze igrejas, ainda usada em festas como Genna e Timkat

O que você vai ver
- Quem foi o rei que dá nome ao complexo de Lalibela.
- Por que a igreja de Bete Giyorgis se destaca entre as onze.
- Por que algumas igrejas hoje ficam sob estruturas de proteção.
- Quais festas religiosas ainda reúnem multidões em Lalibela.
- Por que Lalibela continua um centro de peregrinação vivo, não um museu.
Onze igrejas foram esculpidas para baixo na própria rocha vulcânica, e Lalibela transformou uma montanha do interior etíope numa Jerusalém medieval que até hoje recebe peregrinos cristãos vindos de toda a região.
Quem foi o rei que dá nome ao complexo de Lalibela?
O complexo leva o nome do rei Gebre Mesqel Lalibela, monarca da dinastia Zagué que governou a Etiópia entre os séculos 12 e 13 e que, segundo a tradição local, teria recebido uma visão determinando a construção de uma nova Jerusalém em solo africano, depois que peregrinações à Jerusalém original se tornaram cada vez mais arriscadas.
Essa motivação religiosa e política, atribuída diretamente ao próprio rei, ajuda a explicar por que o conjunto de onze igrejas recebeu tamanho investimento de tempo e recursos humanos, já que se tratava de um projeto pessoal do monarca para garantir aos fiéis etíopes um destino de peregrinação equivalente, sem a necessidade de viagens longas e perigosas.
Eu não me canso de admirar a beleza desse lugar.
— O Afroliterato (@Afroliterato) March 15, 2025
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A Igreja de São Jorge de Lalibela, na Etiópia, escavada diretamente na pedra. pic.twitter.com/u4e8VEzSam
Por que a igreja de Bete Giyorgis se destaca entre as onze?
Bete Giyorgis, a Igreja de São Jorge, se destaca entre as onze estruturas de Lalibela por ter sido esculpida em formato de cruz grega vista de cima, desenho que a torna a mais fotografada e reconhecível de todo o complexo monolítico etíope.
Essa igreja específica é frequentemente descrita como a mais refinada tecnicamente entre as onze, e a tradição local atribui a ela uma origem posterior às demais, construída numa fase em que os construtores já haviam acumulado experiência suficiente para arriscar um desenho geométrico mais ousado do que o das primeiras igrejas talhadas no complexo.
Por que algumas igrejas hoje ficam sob estruturas de proteção?
Algumas das igrejas de Lalibela, especialmente as mais expostas à ação direta da chuva e do sol, passaram a receber estruturas modernas de cobertura erguidas sobre a rocha esculpida, medida adotada para conter processos de erosão que ameaçavam degradar detalhes arquitetônicos entalhados há quase nove séculos.
Essa necessidade de proteção adicional revela um desafio de conservação específico desse tipo de patrimônio, já que uma estrutura esculpida diretamente na rocha vulcânica não pode simplesmente ser restaurada como um edifício convencional, exigindo soluções de engenharia pensadas caso a caso para cada igreja mais vulnerável do conjunto.
Quais festas religiosas ainda reúnem multidões em Lalibela?
Lalibela continua recebendo grandes multidões de fiéis durante festividades como a Genna, celebração etíope do Natal, e a Timkat, festa da Epifania que celebra o batismo de Jesus, ocasiões em que peregrinos de diferentes partes da Etiópia se deslocam especificamente até o complexo de igrejas.
Essas celebrações religiosas, mantidas ano após ano dentro das próprias igrejas esculpidas, demonstram que Lalibela nunca deixou de funcionar como espaço de culto ativo, distinção importante que separa o complexo de outros sítios arqueológicos que preservam valor histórico, mas já perderam por completo sua função religiosa original.
The Church of Saint George, an awe-inspiring masterpiece carved from a single rock, stands as a testament to the ingenuity and devotion of ancient artisans. This extraordinary marvel was crafted sometime around the early 13th century and can be found in the historical region of… pic.twitter.com/LKOqyWrpJK
— Historic Vids (@historyinmemes) July 18, 2023
Por que Lalibela continua um centro de peregrinação vivo, não um museu?
Lalibela continua sendo um centro de peregrinação vivo, e não apenas um museu a céu aberto, porque suas onze igrejas seguem recebendo celebrações litúrgicas regulares, batismos, casamentos e outras cerimônias religiosas que mantêm viva a função original das estruturas esculpidas há quase nove séculos.
Essa continuidade de uso religioso ininterrupto, sustentada por gerações sucessivas de fiéis etíopes, é um dos aspectos que a Unesco destaca ao justificar o reconhecimento do complexo como Patrimônio Mundial, já que Lalibela representa não apenas uma proeza de engenharia medieval, mas também um vínculo espiritual que atravessou os séculos sem interrupção.
- Lalibela leva o nome do rei etíope que, segundo a tradição, ordenou a construção de uma nova Jerusalém.
- Bete Giyorgis, esculpida em formato de cruz grega, é a mais reconhecível das onze igrejas.
- Estruturas modernas de proteção foram erguidas sobre as igrejas mais expostas à erosão.
- Festas como Genna e Timkat continuam reunindo multidões de peregrinos dentro do complexo.
Cidades reconstruídas a partir do zero depois de episódios de destruição também aparecem no relato sobre Røros, a cidade mineira norueguesa arrasada por tropas suecas em 1679.
Mais detalhes sobre as igrejas de Lalibela estão disponíveis no site oficial da Unesco.
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