A nova investida de Flávio contra Lula no TSE
Advogados do senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro apontam pelo menos 19 casos de eventos oficiais usados como atos de campanha
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin, ambos candidatos à reeleição, sob acusação de abuso de poder político e de autoridade pelo uso de estruturas e eventos públicos durante a campanha de 2026.
A peça sustenta que houve um padrão reiterado de utilização da máquina federal para promover a candidatura de Lula.
A petição afirma ter identificado 19 eventos oficiais custeados com recursos públicos que teriam sido convertidos em atos de campanha. Também relaciona ao menos seis episódios envolvendo o Palácio do Planalto e o Palácio da Alvorada, utilizados, segundo a acusação, para entrevistas, lives, podcasts e gravações posteriormente divulgadas nos canais pessoais de Lula.
Segundo a ação, o caso não deveria ser analisado como uma coleção de episódios isolados, mas como uma sequência de atos que, na avaliação dos advogados de Flávio, teria transformado cerimônias oficiais, programas governamentais, empresas estatais, hospitais, universidades, prédios públicos e canais institucionais de comunicação em plataformas eleitorais.
O abuso em entregas eleitoreiras por parte de Lula
Entre os episódios listados estão inaugurações e entregas de programas federais, anúncios de investimentos, eventos ligados à Petrobras e ao BNDES, solenidades em hospitais e instituições públicas e atos de programas como Minha Casa, Minha Vida. A petição afirma que, em parte deles, discursos teriam migrado da divulgação de políticas públicas para ataques a adversários, comparação entre governos e referências à disputa eleitoral.
“Não se está diante de um fato isolado”, sustenta a campanha. Para os autores, houve ao longo de 2026 a repetição de um mesmo padrão, com utilização de “bens públicos, eventos oficiais, programas governamentais, empresas estatais, dependências de prédios públicos, canais oficiais de comunicação e estruturas funcionais da Administração” em benefício político-eleitoral do presidente-candidato.
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Um dos exemplos citados é a inauguração do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fiocruz, no Rio. Segundo a ação, o evento teria sido usado para ataques pessoais a Flávio Bolsonaro, além de ter sido posteriormente amplificado por canais oficiais. A peça afirma ainda que a transmissão do evento alcançou mais de 427 mil visualizações diretas e teria potencial de atingir mais de 40 milhões de contas, considerando as bases de seguidores dos canais envolvidos.
Outro eixo da ação é a utilização das residências oficiais da Presidência para produção de conteúdo eleitoral.
A petição cita uma entrevista realizada em 30 de julho no Palácio da Alvorada, transmitida pelo canal Inteligência Ltda., e acusa Lula de ter reafirmado a candidatura e atacado adversários durante a gravação. Também são mencionadas uma entrevista concedida à Record em 23 de agosto, uma live realizada no Alvorada em 13 de setembro e um podcast gravado no local em 15 de setembro.
Discurso da ONU usado como plataforma de campanha
O episódio mais recente apontado na ação é o discurso de Lula na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 22 de setembro.
A campanha de Flávio afirma que não questiona a participação do presidente no evento nem o direito de o chefe de Estado apresentar as posições brasileiras perante a comunidade internacional. O argumento é que Lula teria utilizado parte do pronunciamento para tratar diretamente da eleição presidencial brasileira, marcada para 4 de outubro.
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