Em apenas um ano, a lista de cortes passa de 284 para mais 300 lojas: dezenas de milhares de funcionários veem uma das maiores redes do país encolher diante deles
Duas listas sucessivas de cortes reduziram a rede em centenas de pontos enquanto a companhia tentava sair da recuperação ainda em funcionamento.
O mapa de uma das maiores redes de desconto começou a encolher em blocos. A Kmart entrou em Chapter 11 em janeiro de 2002, anunciou 284 fechamentos em março e, no começo de 2003, colocou mais 326 unidades e dezenas de milhares de empregos em outra rodada de cortes.
Por que a Kmart entrou em recuperação judicial?
A empresa pediu Chapter 11 em 22 de janeiro de 2002 após uma rápida deterioração de liquidez. Vendas abaixo do esperado, perda de confiança de fornecedores, competição intensa e iniciativas comerciais pouco eficazes pressionaram a companhia.
A recuperação tinha um objetivo diferente de uma liquidação completa: reduzir dívidas, cortar custos e manter uma rede menor com os pontos considerados mais produtivos. Os fechamentos se tornaram uma das principais ferramentas dessa reorganização.

O que foi anunciado na primeira rodada de 2002?
Em março, a Kmart informou que fecharia 284 lojas e eliminaria cerca de 22 mil postos. A lista incluía lojas tradicionais, Big Kmart e Super Kmart espalhadas por dezenas de estados.
Documentos posteriores registram 283 fechamentos concluídos nessa primeira fase, uma diferença pequena em relação ao anúncio inicial. Para não misturar etapas, o número de 284 deve ser lido como o plano divulgado naquele momento.
As duas rodadas anunciadas tinham esta dimensão:
Por que outra lista apareceu menos de um ano depois?
A primeira redução não foi suficiente para ajustar a estrutura antes da saída do Chapter 11. Em janeiro de 2003, a companhia informou que pretendia fechar 326 unidades adicionais e cortar entre 30 mil e 35 mil postos.
A segunda onda atingia 44 estados e Porto Rico. O plano também incluía um centro de distribuição e tinha como meta gerar caixa com as vendas de encerramento enquanto a empresa preparava sua saída da recuperação.
Os 326 fechamentos anunciados foram exatamente os realizados?
Não. O anúncio inicial falava em 326 lojas, mas documentos corporativos posteriores registraram 316 lojas efetivamente fechadas no exercício de 2003. Outras fontes contábeis da época apresentam números próximos.
Essa diferença é comum quando uma lista preliminar passa por ajustes de contratos, datas e execução. Por isso, o título preserva os números anunciados nas duas rodadas, enquanto o corpo separa o plano do resultado posterior.
A cronologia ajuda a não misturar os números:
Quanto a rede encolheu durante o processo?
A redução foi de aproximadamente 600 lojas ao longo da recuperação. A Kmart saiu do processo com cerca de 1.500 pontos, muito abaixo da estrutura que mantinha quando apresentou o pedido no início de 2002.
Para uma rede de varejo desse tamanho, fechar centenas de unidades também exigia rever distribuição, contratos, equipes corporativas e rotas de abastecimento.
Os cortes significaram o fim da Kmart naquele momento?
Não. A companhia emergiu do Chapter 11 em maio de 2003 e continuou operando. A lógica dos fechamentos era justamente preservar um núcleo menor, em vez de liquidar todas as lojas.
Mesmo assim, o impacto foi enorme. Em pouco mais de um ano, duas listas sucessivas colocaram centenas de endereços no caminho do fechamento e dezenas de milhares de empregos sob corte, redesenhando a escala da Kmart.
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