Mais de 500 vitrines de shopping recebem a mesma notícia: após quase três décadas, rede abandona a tentativa de recuperação e cerca de 7 mil empregos ficam pelo caminho
Dois anos de cortes e mudanças não bastaram: a perda de crédito e apoio de fornecedores levou as lojas restantes ao encerramento.
As vitrines não desapareceram de uma vez: durante dois anos, a rede foi fechando pontos, trocando executivos e tentando voltar a acertar as tendências de moda. Em fevereiro de 1996, a Merry-Go-Round Enterprises desistiu da recuperação e colocou as 536 lojas restantes no caminho da liquidação.
Por que a recuperação não conseguiu salvar a empresa?
A companhia estava sob Chapter 11 desde janeiro de 1994. A crise havia começado depois de uma expansão agressiva e de apostas de moda que não acompanharam o gosto de seu público, justamente em um negócio dependente de tendências rápidas.
Nos dois anos seguintes, a empresa reduziu custos, fechou lojas e mudou a gestão. Mesmo assim, credores resistiram a ampliar financiamento e alguns fornecedores deixaram de enviar mercadorias, tornando cada vez mais difícil manter a operação.

Quanto a rede já tinha encolhido antes da decisão final?
No início da primeira recuperação, a Merry-Go-Round administrava cerca de 1.500 lojas sob várias bandeiras. Um ano depois, já havia caído para menos de mil pontos, e a divisão Chess King foi encerrada em 1995.
Quando a liquidação definitiva foi anunciada, restavam 536 lojas e cerca de 7 mil funcionários. A antiga rede já havia perdido boa parte do tamanho que tivera poucos anos antes.
O que os dois anos de recuperação mudaram?
A empresa tentou corrigir mercadorias, despesas e liderança enquanto fechava pontos de baixo desempenho. O objetivo era sair do processo com uma cadeia menor, mas ainda capaz de competir pelo consumidor jovem.
O problema foi que o tempo também reduziu o apoio financeiro disponível. Sem crédito suficiente e com fornecedores cautelosos, a companhia perdeu a capacidade de manter estoques normais e financiar outra tentativa de retomada.
A trajetória da recuperação mostra essa redução progressiva:
As 536 lojas fechariam imediatamente?
Não. A direção anunciou uma retirada ordenada. As lojas seriam fechadas conforme estoques fossem vendidos, e ainda existia a possibilidade de que alguma divisão encontrasse comprador e continuasse fora da antiga companhia.
Esse detalhe importava especialmente para os trabalhadores: sem comprador para uma divisão, os postos associados a ela também terminariam. A liquidação encerrava a Merry-Go-Round Enterprises, mas não impedia a venda de partes isoladas.
Por que os shoppings sentiram tanto esse encerramento?
A maior parte das bandeiras era fortemente associada a shopping centers. Centenas de fechamentos significavam contratos rompidos e áreas vazias que administradores precisariam ocupar novamente.
Para fabricantes e fornecedores, o problema era diferente: pedidos diminuíam e créditos podiam ficar sem pagamento. A queda de uma grande varejista, portanto, se espalhava para além dos 7 mil funcionários diretamente ligados à empresa.
Os números da reta final mostram esse alcance:
Como terminou uma história iniciada em 1968?
A empresa começou em 1968 e cresceu rapidamente, chegando a 900 lojas em 1992. A compra da Chess King no ano seguinte ampliou ainda mais a estrutura justamente antes da crise que a levaria ao Chapter 11.
Em fevereiro de 1996, depois de quase três décadas no varejo, a tentativa de recuperação foi abandonada. As 536 lojas restantes seguiram para liquidação e a antiga companhia deixou de operar.
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