Há 4 mil anos, um golfinho teria salvado o fundador de uma cidade — agora ela está retribuindo o favor
Segundo a mitologia, Taras navegava entre a Itália e a Grécia quando sua embarcação naufragou e Poseidon teria enviado um golfinho para salvá-lo.
Uma antiga lenda grega que atravessa milhares de anos ganhou um novo capítulo em Taranto, no sul da Itália. Segundo a mitologia, Taras, filho de Poseidon, teria sido resgatado por um golfinho após um naufrágio e chegado às margens do território onde fundaria a cidade.
Agora, Taranto está criando um santuário marítimo pioneiro para acolher golfinhos que passaram a vida em cativeiro.
Como um golfinho entrou para a história de Taranto?
Segundo a tradição, Taras navegava entre a Itália e a Grécia quando sua embarcação naufragou. Poseidon teria enviado um golfinho para salvá-lo, permitindo que ele chegasse à costa montado no animal.
A cidade fundada por Taras tornou-se Taranto, na região italiana da Puglia. A ligação com os golfinhos permanece presente em moedas antigas, esculturas, símbolos municipais e até no escudo do clube de futebol local.
Por que Taranto decidiu criar um santuário para golfinhos?
O novo projeto pretende oferecer uma alternativa para animais que viveram durante anos em aquários e não podem simplesmente ser devolvidos ao oceano. O San Paolo Dolphin Refuge está sendo desenvolvido como o primeiro santuário marítimo da Europa destinado a golfinhos anteriormente mantidos em cativeiro.
A iniciativa é conduzida pelo biólogo marinho Carmelo Fanizza e pela organização Jonian Dolphin Conservation. A estrutura recebeu as autorizações finais para ser concluída e começará funcionando como um projeto-piloto, com poucos animais.

O que haverá no novo refúgio marítimo?
O santuário foi planejado para reproduzir condições muito mais próximas do ambiente natural, utilizando tecnologia para acompanhar constantemente o espaço.
Entre os principais recursos estão:
Os dados ambientais serão enviados para uma central de controle, permitindo que pesquisadores acompanhem a qualidade da água, do ar e as condições acústicas do local.
Por que os golfinhos não podem simplesmente voltar ao oceano?
Para animais que passaram grande parte da vida em tanques de concreto, a soltura imediata no mar aberto pode não ser uma alternativa viável. Muitos podem não ter desenvolvido habilidades necessárias para sobreviver de forma independente.
O projeto pretende justamente criar uma etapa intermediária, permitindo que esses golfinhos tenham contato com água do mar, peixes e elementos naturais sem serem colocados diretamente diante dos riscos da vida selvagem.
Como Taranto transformou sua relação com os golfinhos?
A conservação dos cetáceos na região começou a ganhar força em 2009, quando a Jonian Dolphin Conservation foi criada. A organização também promove expedições nas quais participantes ajudam pesquisadores a registrar avistamentos e coletar informações.
O santuário não será aberto diretamente ao público. A observação e o acompanhamento dos animais poderão ocorrer a partir do centro Kètos, localizado na cidade histórica, que reúne laboratórios, biblioteca e equipamentos para monitoramento.
No Golfo de Taranto, milhares de golfinhos selvagens já vivem nas águas do mar Jônico. Agora, a cidade associada há milênios à história de um golfinho que teria salvado seu fundador tenta criar um novo destino para animais que nunca tiveram a mesma liberdade.
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