Trump avalia proibir exportações de diesel americano
Alta do diesel já custou mais de 51 bilhões de dólares às famílias americanas desde o início da guerra no Irã, segundo levantamento
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou na terça-feira que o governo Trump já avalia proibir total ou parcialmente a exportação de diesel para conter os preços recordes do combustível.
Segundo Bessent, a decisão depende da capacidade de refino do país e ainda não foi tomada.
Horas depois, pouco antes de sua fala na Assembleia Geral da ONU, o presidente Donald Trump disse apoiar a medida. “Eu disse que não vamos exportar o diesel. Produzimos muito diesel”, declarou aos jornalistas.
Na terça-feira, a média nacional do diesel nos Estados Unidos chegou a 6,53 dólares o galão, recorde da série da AAA e quase 3 dólares acima do patamar de um ano atrás. Na Califórnia, o valor já passava de 8,40 dólares o galão.
No mercado atacadista, o destilado de baixo enxofre na costa do Golfo e em Nova York girava perto de 4,96 a 4,98 dólares o galão, o que dá cerca de 208 dólares quando convertido para barril, mais de 100 dólares acima do petróleo tipo West Texas.
A alta decorre em parte da guerra entre Rússia e Ucrânia, que reduziu a capacidade internacional de refino graças aos ataques ucranianos a refinarias russas, que levaram Moscou a proibir a exportação de diesel.
Mais peso, entretanto, tem o conflito no Oriente Médio, iniciado pelo próprio Trump com apoio de Israel contra o Irã. O país persa e seus aliados houthis atacaram instalações no Oriente Médio e ameaçaram petroleiros no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um décimo do diesel mundial, e agora expandem a ameaça ao tráfego no Estreito de Bab el-Mandeb, junto à Arábia Saudita.
As refinarias americanas aumentaram as exportações para aproveitar os preços altos. Na primeira semana de setembro, operavam a quase 98% da capacidade, produzindo cerca de 5,3 milhões de barris diários de diesel e derivados, dos quais 1,6 milhão foram exportados em agosto, segundo a Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos e a consultoria Kpler.
O consumo interno soma cerca de 3,7 milhões de barris por dia. Boa parte do excedente está concentrada na costa do Golfo do México, com pouca capacidade de escoamento até a costa oeste.
A pressão por um embargo parte de parlamentares republicanos, como o senador Chuck Grassley, de Iowa, e o líder da maioria no Senado, John Thune.
Já o secretário do Interior, Doug Burgum, e o senador John Cornyn, do Texas, se opõem, por temerem alta na gasolina e retaliação de parceiros comerciais.
A indústria de petróleo também pressiona a Casa Branca contra a proibição. Um levantamento da Universidade Brown estima que a alta do diesel desde o início da guerra no Irã já impôs um custo extra de cerca de 51 bilhões de dólares aos consumidores americanos, na casa de 400 dólares por domicílio. Se somarmos a gasolina, esse número passa de 114 bilhões.
Economistas citam o embargo de soja imposto por Richard Nixon em 1973 como precedente de efeito colateral duradouro. À época, o Japão passou a investir na produção agrícola brasileira para reduzir a dependência americana, e o Brasil ultrapassou os Estados Unidos nas exportações de soja em 2013.
Analistas do setor divergem sobre o efeito de curto prazo de uma restrição ao diesel, mas alertam que o impacto poderia se repetir com outros produtos e parceiros comerciais dos Estados Unidos.
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