Obra abriu o chão e revelou um gigante de 20 metros que viveu no Maranhão há 120 milhões de anos
Fósseis encontrados em Davinópolis revelaram um enorme saurópode cujo parente conhecido mais próximo viveu na atual Espanha
Uma obra de infraestrutura em Davinópolis, no Maranhão, acabou revelando um dos maiores dinossauros já descritos no Brasil. Os fósseis pertenciam a Dasosaurus tocantinensis, um saurópode de pescoço longo que viveu há cerca de 120 milhões de anos, durante o Cretáceo Inferior. O Dasosaurus teria alcançado aproximadamente 20 metros de comprimento e, surpreendentemente, seu parente evolutivo conhecido mais próximo viveu no território que hoje corresponde à Espanha.
Como o Dasosaurus apareceu no meio de uma obra?
Os primeiros fósseis foram reconhecidos em 2021 durante o monitoramento paleontológico ligado à construção de um terminal rodoferroviário em Davinópolis. O material estava em um corte rochoso associado à obra, em sedimentos da porção inferior da Formação Itapecuru.
Inicialmente, não estava claro qual animal havia deixado aqueles ossos. Conforme a escavação avançou, surgiram vértebras, costelas e grandes elementos dos membros. Um fêmur com aproximadamente 1,5 metro deixou evidente que o sítio preservava um saurópode de grandes dimensões.
Quais fósseis permitiram identificar esse gigante do Maranhão?
O conjunto pertence a um único indivíduo e inclui vértebras da cauda, costelas, partes da cintura pélvica, ossos do antebraço, fêmur, tíbia, fíbula e elementos do pé. Mesmo sem um esqueleto completo, havia material suficiente para comparar características anatômicas com outros saurópodes.
Os pesquisadores analisaram também a microestrutura interna dos ossos. A combinação de anatomia, histologia e análises filogenéticas permitiu reconhecer um gênero e uma espécie que ainda não haviam sido descritos pela ciência.
- Fêmur com cerca de 1,5 metro;
- Vértebras caudais com características diagnósticas;
- Ossos da perna e do antebraço;
- Elementos da pelve e dos pés;
- Costelas associadas ao mesmo indivíduo.
Este vídeo apresenta a descoberta e explica a importância do novo saurópode encontrado no Maranhão.
Por que o Dasosaurus chamou atenção pelo parentesco europeu?
As análises colocaram Dasosaurus tocantinensis dentro de Somphospondyli, um grande ramo dos saurópodes titanossauriformes. O resultado mais inesperado foi sua proximidade com Garumbatitan morellensis, espécie do Cretáceo Inferior encontrada na atual Espanha.
Os dois compartilham características específicas, incluindo estruturas nas vértebras da cauda e uma saliência bem desenvolvida no fêmur. Esses detalhes anatômicos sustentam a hipótese de que formavam um ramo evolutivo próximo, apesar da enorme distância geográfica existente hoje entre Brasil e Europa.
Como um dinossauro brasileiro acabou relacionado a uma espécie da Espanha?
Há cerca de 120 a 140 milhões de anos, a configuração dos continentes era muito diferente. O Atlântico ainda estava em processo de abertura, e conexões terrestres ou cadeias de territórios próximos poderiam permitir dispersões entre Europa, norte da África e América do Sul.
Os modelos biogeográficos apresentados no Journal of Systematic Palaeontology sugerem que a linhagem compartilhada pelos dois animais pode ter origem europeia. Os ancestrais de Dasosaurus teriam alcançado a América do Sul passando pelo norte africano entre o Valanginiano e o Aptiano.

O que os números revelam sobre o novo saurópode?
A estimativa de aproximadamente 20 metros coloca o animal entre os maiores dinossauros encontrados no Brasil e como o maior conhecido até agora no Maranhão. Esse comprimento não foi medido em um esqueleto completo, mas estimado principalmente a partir das proporções dos ossos preservados.
O depósito pertence ao Aptiano do Cretáceo Inferior. O estudo científico foi publicado online em 12 de fevereiro de 2026, após análises anatômicas, histológicas e evolutivas conduzidas por pesquisadores de várias instituições brasileiras.
| Característica | Registro |
|---|---|
| Comprimento estimado | Cerca de 20 m |
| Fêmur preservado | Cerca de 1,5 m |
| Idade | Aproximadamente 120 milhões de anos |
| Local | Davinópolis, Maranhão |
Por que o Dasosaurus ajuda a reconstruir um mundo desaparecido?
A descoberta amplia a diversidade conhecida de saurópodes do norte da América do Sul durante o Cretáceo Inferior. Mais do que acrescentar um novo dinossauro à lista brasileira, ela oferece evidências para testar como grandes animais se distribuíam enquanto os continentes se separavam.
O Dasosaurus também demonstra a importância do monitoramento paleontológico em grandes obras. Um corte aberto para infraestrutura revelou um animal desconhecido e transformou ossos enterrados no Maranhão em evidência de uma antiga conexão biogeográfica entre América do Sul, África e Europa.
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