EUA, Dinamarca e Groenlândia firmam pacto militar
Acordo assinado em Nova York amplia bases americanas na ilha e busca encerrar disputa sobre soberania territorial
Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia formalizaram nesta terça-feira, 22, em Nova York, um pacto de segurança que autoriza a expansão da presença militar americana no território ártico.
A assinatura ocorreu paralelamente aos trabalhos da Assembleia Geral da ONU e reuniu o presidente Donald Trump, a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen e o chefe de governo groenlandês, Jens-Frederik Nielsen.
O documento marca o fim de um período de atrito diplomático motivado pelo interesse americano em anexar a ilha.
Novas instalações militares
Durante seu pronunciamento na ONU, Trump revelou que a construção de duas bases militares na Groenlândia terá início imediato. Uma delas ficará em Narsarsuaq, na região sul, e a outra em Mestersvig, no leste do território. As estruturas passarão a integrar o aparato militar americano já instalado na ilha, que hoje conta apenas com a Base Espacial de Pituffik, antiga Base de Thule.
O texto assinado tem dez páginas e formaliza uma presença militar permanente dos Estados Unidos na região, além de reforçar a articulação estratégica entre Washington, Copenhague e Nuuk. “Isso é algo extraordinário para a Europa e para os Estados Unidos, para o mundo inteiro e para a Groenlândia. Vai ser incrível”, disse Trump, ao comentar o acordo.
Garantias sobre soberania
O acordo estabelece de forma expressa o respeito à “soberania e integridade territorial do Reino da Dinamarca” e reconhece o “direito à autodeterminação” da Groenlândia.
A previsão responde diretamente às declarações feitas por Trump desde janeiro de 2025, quando defendeu publicamente que os Estados Unidos deveriam assumir o controle da ilha por motivos de segurança nacional — posição que gerou desgaste com Copenhague e com países da Otan.
Nielsen afirmou que o pacto reconhece o papel estratégico da Groenlândia para a defesa norte-americana e transatlântica: “Este acordo reflete que entendemos nossa responsabilidade e agimos de acordo com ela”.
Já Frederiksen declarou que a situação do país melhorou com a assinatura, dizendo que “vivemos tempos incertos” e que espera que o entendimento traga mais estabilidade à ilha após um momento delicado.
O documento também restringe a atuação de nações fora da Otan e da União Europeia em setores estratégicos groenlandeses, medida voltada especialmente a limitar o avanço de China e Rússia na região ártica. Segundo o texto do acordo, ficam vedados o acesso a informações sensíveis e atividades que ameacem a segurança nacional ou a ordem pública local.
A relevância geográfica da Groenlândia decorre de sua localização na rota mais curta para mísseis entre Rússia e Estados Unidos, além de sua participação no projeto de defesa antimísseis batizado de “Domo de Ouro”. A ilha também concentra reservas pouco exploradas de terras raras, insumos estratégicos para setores tecnológicos e energéticos.
O acordo prevê ainda que os compromissos assumidos permanecerão válidos mesmo que a Groenlândia conquiste independência da Dinamarca, hipótese que também exigiria a manutenção ou adesão do território à Otan.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, manifestaram apoio ao entendimento firmado entre os três países.
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