Patrimônio Mundial da UNESCO: o deserto úmido brasileiro com 36 mil lagoas temporárias e o maior campo de dunas da América do Sul
Mais de 36 mil lagoas temporárias podem surgir entre as dunas durante o ciclo das chuvas
De longe, parece um deserto branco interrompido por milhares de manchas azuis. No Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, Maranhão, a chuva cria lagoas entre dunas móveis e transforma a paisagem ao longo do ano. O conjunto virou Patrimônio Mundial da UNESCO e reúne o maior campo de dunas da América do Sul, com dezenas de milhares de lagoas temporárias.
A UNESCO reconheceu uma paisagem que muda de forma todos os anos
Os Lençóis Maranhenses entraram na Lista do Patrimônio Mundial em 2024. A UNESCO reconhece uma área de 156.562 hectares, em uma zona de transição entre Cerrado, Caatinga e Amazônia.
Mais da metade dessa área é formada por um campo de dunas costeiras brancas com lagoas temporárias e permanentes. A UNESCO classifica o conjunto como o maior campo de dunas da América do Sul e destaca seu valor estético e geológico.
Em 2026, a Secretaria de Turismo do Maranhão voltou a destacar outro número impressionante: o parque possui mais de 36 mil lagoas temporárias.
Uma paisagem em movimento
Os números geomorfológicos são apresentados pela UNESCO na ficha oficial do Patrimônio Mundial.

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As lagoas aparecem porque a chuva fica presa entre as dunas
As lagoas são alimentadas exclusivamente pela água da chuva. Segundo a UNESCO, o nível do lençol freático sobe na estação chuvosa e preenche as depressões entre as dunas, criando lagos de diferentes tamanhos, cores e profundidades.
Quando a estação seca avança, muitas dessas lagoas diminuem ou desaparecem. Como as dunas continuam migrando com o vento, a paisagem pode retornar no ano seguinte com desenhos diferentes.
É por isso que o parque lembra um deserto sem funcionar como um deserto clássico. O ICMBio chama a área de maior deserto úmido do país e reforça que o parque permanece aberto à visitação durante o ano inteiro.

Barreirinhas e Santo Amaro funcionam como portas de entrada
O parque não pertence a uma única cidade. As principais portas de acesso são Barreirinhas e Santo Amaro do Maranhão, com outras entradas por Humberto de Campos e Primeira Cruz.
Quem chega por São Luís costuma seguir por estrada até Barreirinhas ou Santo Amaro. O aeroporto de Parnaíba, no Piauí, também aparece entre os acessos aéreos mais próximos, especialmente para quem percorre a Rota das Emoções.
Dentro da unidade de conservação, veículos particulares não podem circular nos roteiros turísticos. O transporte terrestre e a condução de visitantes precisam seguir o sistema de credenciamento do ICMBio.

A travessia permite dormir entre dunas e oásis
A Travessia dos Lençóis cruza o parque de Atins até Santo Amaro por uma zona de acesso restrito a caminhantes. O ICMBio estabelece regras específicas para a temporada de 2026.
- Atins: ponto de início ou término de travessias longas e acesso pelo litoral.
- Baixa Grande: comunidade usada como ponto de apoio e pernoite durante a caminhada.
- Queimada dos Britos: outro oásis habitado no interior do campo de dunas.
- Betânia: região de Santo Amaro usada em roteiros de lagoas e travessias.
- Circuitos de lagoas: permitem banhos e caminhadas mais curtas para quem não faz a travessia completa.
Em 2026, grupos de trekking precisam respeitar limite de dez pessoas por condutor, fazer registro de entrada e saída e reservar previamente os pontos de apoio quando houver pernoite.
Quem planeja viajar para o Maranhão, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Melhores Destinos, que conta com mais de 41 mil visualizações, onde a apresentadora mostra um guia completo dos Lençóis Maranhenses:
Como é o clima dos Lençóis Maranhenses durante o ano?
Barreirinhas, principal porta de entrada, mostra bem a divisão entre meses muito chuvosos e uma estação seca intensa. As médias de 30 anos indicam pico de chuva entre fevereiro e maio e volumes mínimos de agosto a novembro.
Lençóis Maranhenses em cada estação
As temperaturas e chuvas usam como referência as médias de 30 anos de Barreirinhas no Climatempo, uma das principais portas do parque. El Niño e La Niña podem alterar o padrão entre os anos. Para as condições atuais, consulte a previsão para Barreirinhas.
Os Lençóis Maranhenses mudam justamente porque nunca ficam parados
O reconhecimento da UNESCO protege uma paisagem que não depende de permanecer imóvel. O vento desloca dunas, a chuva cria lagoas e a estação seca redesenha o cenário alguns meses depois.
Os mais de 90 mil hectares de campo de dunas e as dezenas de milhares de lagoas fazem dos Lençóis Maranhenses um lugar difícil de comparar com outro destino brasileiro. A principal atração é justamente voltar e encontrar um desenho diferente.
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