Um osso inchado de Iguanodon pode guardar a primeira evidência conhecida de uma úlcera de pele infectada que chegou até o osso de um dinossauro
Tíbia de Iguanodon encontrada na Espanha apresenta reação óssea compatível com uma infecção bacteriana iniciada nos tecidos sobre o osso
Uma tíbia fossilizada de Iguanodon bernissartensis encontrada em Morella, no leste da Espanha, apresenta um crescimento ósseo incomum que pesquisadores interpretaram como possível consequência de uma úlcera em dinossauro infectada por bactérias. A lesão sugere que uma infecção iniciada nos tecidos sobre o osso avançou até provocar reação do periósteo e espessamento cortical há cerca de 125 milhões de anos.
Onde foi encontrada a possível úlcera em dinossauro?
O fóssil pertence a um Iguanodon bernissartensis recuperado na pedreira Mas de la Parreta, em Morella, província de Castellón. As rochas pertencem à Formação Arcillas de Morella, depositada durante o Barremiano tardio do Cretáceo Inferior.
A anomalia aparece na região média da tíbia direita. Em vez de manter a superfície normal do osso, essa área apresenta uma expansão lisa, inchada e lobulada. O crescimento patológico mede aproximadamente 17,4 centímetros e ocupa cerca de 17% do comprimento preservado da tíbia.
Como os pesquisadores investigaram o osso inchado?
A aparência externa não era suficiente para determinar a causa. Por isso, a equipe utilizou tomografia computadorizada semelhante à empregada em hospitais, permitindo observar a estrutura interna sem cortar ou danificar o fóssil. Modelos digitais tridimensionais também ajudaram a mapear o tecido alterado.
O diagnóstico foi construído por exclusão, comparando a lesão com diferentes patologias capazes de produzir crescimento ósseo anormal. Fraturas, tumores e algumas formas de infecção foram avaliados antes de os pesquisadores considerarem a úlcera cutânea avançada como a explicação mais consistente.
- Crescimento ósseo com cerca de 17,4 centímetros;
- Superfície externa lisa e lobulada;
- Expansão da região cortical;
- Ausência de alterações típicas de um calo de fratura;
- Reação compatível com inflamação do periósteo.
Este vídeo apresenta Iguanodon bernissartensis e como sua reconstrução científica mudou desde as primeiras descobertas.
Por que uma úlcera em dinossauro conseguiria alterar o osso?
Uma ferida aberta na pele pode permitir a entrada de bactérias nos tecidos mais profundos. Quando a inflamação permanece próxima ao osso por tempo suficiente, o periósteo, membrana que recobre sua superfície, pode reagir produzindo novo tecido ósseo.
Na tíbia estudada, a alteração permaneceu concentrada principalmente na superfície e no córtex, sem invadir de modo característico a cavidade medular. Esse padrão levou os autores a propor que o processo começou nos tecidos moles externos e avançou em direção ao osso, e não no sentido contrário.
É possível saber quais bactérias infectaram o Iguanodon?
Não. Nenhum microrganismo foi preservado de maneira que permita identificar diretamente a espécie responsável. A interpretação de uma infecção bacteriana provavelmente polimicrobiana vem do padrão da reação óssea e de sua comparação com doenças observadas em animais atuais e seres humanos.
O estudo publicado na Royal Society Open Science compara a alteração com respostas encontradas em úlceras cutâneas avançadas, incluindo algumas semelhantes às chamadas úlceras tropicais. Trata-se, portanto, de um diagnóstico paleopatológico, não de uma identificação microbiológica direta.

O que torna essa úlcera em dinossauro tão importante?
Os autores descrevem o caso como a primeira ocorrência conhecida desse tipo de resposta óssea associada a uma úlcera cutânea bacteriana em um dinossauro. Infecções ósseas já foram documentadas em outros fósseis, inclusive osteomielites, mas a provável origem superficial diferencia esse exemplar.
A formação de novo osso também mostra que o animal não morreu imediatamente após o início da lesão. Seu organismo teve tempo para produzir uma resposta inflamatória e iniciar remodelação, indicando sobrevivência durante parte do processo infeccioso.
| Característica | Resultado |
|---|---|
| Dinossauro | Iguanodon bernissartensis |
| Osso afetado | Tíbia direita |
| Extensão da lesão | 17,4 cm |
| Idade geológica | Cerca de 125 milhões de anos |
O animal provavelmente sentia dor ao caminhar?
Os pesquisadores consideram provável que uma lesão desse tamanho tenha provocado dor persistente e afetado a locomoção. A tíbia é um dos principais ossos da perna e suporta cargas importantes durante o deslocamento, tanto em postura bípede quanto quadrúpede.
Não é possível reconstruir exatamente quanto o animal mancava ou por quanto tempo conviveu com a infecção. O fóssil preserva apenas a reação do esqueleto, mas ela oferece uma rara evidência de que dinossauros também enfrentavam feridas crônicas, infecções e processos de cicatrização complexos.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)