Um tubarão do oceano profundo se move tão devagar que parece quase imóvel nas águas frias
Medições mostram velocidades excepcionalmente baixas em um predador adaptado a economizar energia nas águas geladas do Atlântico Norte e do Ártico
Nas águas escuras e geladas do Atlântico Norte e do Ártico, o Somniosus microcephalus segue uma estratégia muito diferente da imagem clássica de tubarões velozes. O tubarão-da-Groenlândia apresenta uma das menores velocidades de natação já medidas em um peixe quando seu tamanho é considerado. Frio intenso, grande porte e exigências energéticas baixas ajudam a explicar um estilo de vida no qual economizar energia pode ser mais importante do que perseguir presas rapidamente.
Por que o tubarão-da-Groenlândia nada tão devagar?
Medições realizadas com sensores instalados em animais livres mostraram velocidade média de cruzeiro de aproximadamente 0,34 metro por segundo. A frequência média das batidas da cauda ficou em apenas 0,15 hertz, valores excepcionalmente baixos para peixes de seu porte. Mesmo a velocidade máxima registrada chegou a somente cerca de 0,74 metro por segundo.
A temperatura é uma peça importante dessa lentidão. Tubarões são ectotérmicos, portanto a temperatura ambiental influencia processos fisiológicos e a contração dos músculos. Os animais estudados nadavam em águas próximas de 2 °C, condição que reduz a capacidade muscular de gerar movimentos rápidos.
Como o tubarão-da-Groenlândia economiza tanta energia?
Experimentos de respirometria realizados no Ártico canadense encontraram taxas metabólicas de repouso muito baixas nesses tubarões. Entretanto, quando tamanho corporal e temperatura foram considerados, os valores ficaram dentro do esperado para outros tubarões, indicando que não existe necessariamente um metabolismo extraordinário exclusivo da espécie.
O ambiente frio combina essa baixa demanda energética com movimentos lentos. Modelos baseados em sensores estimaram que um indivíduo de aproximadamente 224 quilos poderia manter seu gasto energético consumindo apenas algumas dezenas ou centenas de gramas de alimento por dia em média, embora refeições reais sejam naturalmente irregulares.
- Velocidade média de aproximadamente 0,34 m/s;
- Máxima registrada próxima de 0,74 m/s;
- Frequência de cauda em torno de 0,15 Hz;
- Temperaturas ambientais próximas ou inferiores a poucos graus Celsius.
Este vídeo científico apresenta a biologia do tubarão-da-Groenlândia e pesquisas realizadas para compreender seu metabolismo e sua movimentação.
O tubarão-da-Groenlândia vive apenas no oceano profundo?
Não. A espécie utiliza uma grande faixa vertical. Tubarões-da-Groenlândia podem aparecer relativamente perto da superfície em águas extremamente frias, enquanto registros também documentam mergulhos superiores a 2.000 metros. A profundidade, portanto, varia conforme região, estação e condições ambientais.
Essa flexibilidade explica por que chamar todos os Somniosus simplesmente de “tubarões abissais” seria impreciso. O gênero inclui os chamados sleeper sharks, associados a águas frias e frequentemente profundas, mas seus integrantes não passam necessariamente toda a vida sobre fundos abissais.
A pressão extrema é responsável por deixar esses tubarões lentos?
Não há evidência de que a pressão, isoladamente, explique sua velocidade reduzida. Ela certamente faz parte das condições encontradas nos mergulhos profundos, mas os dados fisiológicos apontam sobretudo para o efeito da temperatura sobre os músculos, somado ao grande tamanho corporal e a uma estratégia energética econômica.
A NOAA registra que esses animais já foram encontrados a aproximadamente 2.200 metros e destaca sua relação com águas extremamente frias. Quanto maior a profundidade, maior a pressão, mas não se deve transformar essa correlação ambiental em uma causa direta da lentidão.

O que os números revelam sobre esse tubarão-da-Groenlândia?
O contraste com presas rápidas é particularmente interessante. Focas conseguem nadar e acelerar muito mais depressa do que esses tubarões, e os pesquisadores calcularam aceleração máxima muito baixa para S. microcephalus. Isso torna improvável uma perseguição convencional em alta velocidade.
Como restos de mamíferos marinhos aparecem no conteúdo estomacal, pesquisadores discutem alternativas como captura de animais vulneráveis ou adormecidos, além de alimentação sobre carcaças. A predação ativa de focas, porém, permanece difícil de observar diretamente no ambiente natural.
| Característica | Valor observado |
|---|---|
| Velocidade média | ≈ 0,34 m/s |
| Velocidade máxima | ≈ 0,74 m/s |
| Batidas da cauda | ≈ 0,15 Hz |
| Mergulhos conhecidos | Mais de 2.000 m |
Por que o tubarão-da-Groenlândia consegue sobreviver com tanta lentidão?
No ambiente frio, reduzir o gasto energético pode ser uma vantagem. O tubarão não precisa manter continuamente a elevada atividade observada em predadores oceânicos rápidos. Sua dieta inclui peixes, lulas, carcaças e restos de mamíferos marinhos, recursos que podem ser aproveitados sem perseguições prolongadas.
Essa estratégia também está associada a uma história de vida extraordinariamente lenta. O tubarão-da-Groenlândia cresce pouco por ano e figura entre os vertebrados mais longevos conhecidos. Sua lentidão, portanto, não representa incapacidade: é parte de um conjunto de características adequado a águas frias, profundas e energeticamente desafiadoras.
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