Reino Unido denuncia médico por genocídio em Ruanda
Vincent Brown, ex-Vincent Bajinya, torna-se o primeiro réu britânico por participação no massacre de tutsis em 1994
Um médico ruandês de 65 anos foi detido em Londres nesta segunda-feira, 21, tornando-se a primeira pessoa formalmente denunciada no Reino Unido por envolvimento no genocídio de Ruanda.
Vincent Brown, antes chamado Vincent Bajinya, responde por cumplicidade em genocídio e por seis acusações de auxílio a crimes contra a humanidade cometidos durante o massacre étnico de 1994, que matou cerca de 800 mil pessoas em cem dias. Ele deve se apresentar nesta terça-feira ao Tribunal de Magistrados de Westminster.
Sete anos sob investigação
Segundo o Ministério Público britânico, as acusações decorrem de uma apuração aberta em 2019, quando autoridades do Reino Unido decidiram investigar diretamente o caso em vez de extraditar o suspeito a Ruanda.
Frank Ferguson, responsável pela divisão de antiterrorismo do órgão, disse que “as acusações estão relacionadas a alegações de que Brown participou do genocídio contra os tutsis em Ruanda em 1994”. Ele acrescentou que o médico é apontado como responsável por dirigir e incitar assassinatos executados por terceiros.
Natural de Kigali, Brown vive em Londres, onde chegou como solicitante de asilo em 1998 e mudou de nome ao adquirir a cidadania britânica em 2004.
Sua primeira prisão ocorreu em 2006, mas pedidos de extradição a Ruanda foram negados de forma definitiva pela Justiça britânica em 2017, o que levou o governo ruandês a pedir que o Reino Unido conduzisse sua própria investigação.
Legislação e desdobramentos
A denúncia se apoia em normas britânicas que permitem processar crimes internacionais, como genocídio e crimes contra a humanidade, independentemente do local de ocorrência. Outros países já julgaram suspeitos ligados ao massacre ruandês.
A polícia britânica informou manter investigações sobre outros suspeitos: “Este caso demonstra que o Reino Unido não é um refúgio seguro para indivíduos suspeitos de cometer crimes internacionais”, afirmou Helen Flanagan, chefe da unidade de contraterrorismo da corporação.
O genocídio teve início em abril de 1994, após a queda do avião do então presidente Juvenal Habyarimana, hutu, episódio que desencadeou uma campanha de extermínio contra tutsis e hutus moderados, conduzida por lideranças extremistas hutus.
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