Capital Nacional do Calçado: a cidade gaúcha onde uma das 3 maiores feiras do setor no mundo reúne 23 mil visitantes e um museu guarda 45 mil peças
A indústria do calçado ajudou a transformar a economia local
Uma cidade gaúcha construiu parte da própria identidade em torno de sapatos, couro e máquinas. Em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, o setor calçadista virou marca econômica e cultural a ponto de render o apelido de Capital Nacional do Calçado. Em 2026, uma feira realizada ali recebeu 23 mil visitantes, enquanto o museu dedicado ao tema preserva mais de 45 mil peças.
Como o calçado virou parte da identidade de Novo Hamburgo?
A industrialização cresceu sobre uma região marcada pela imigração alemã e pelo trabalho artesanal. Pequenas oficinas e curtumes se multiplicaram ao longo do século XX até transformar o Vale do Sinos em um dos principais polos coureiro-calçadistas do país.
A própria Prefeitura de Novo Hamburgo usa historicamente a expressão Capital Nacional do Calçado ao falar da cidade e de sua importância industrial.
O setor não ficou apenas nas fábricas. Escolas técnicas, design, máquinas, componentes, feiras de negócios e pesquisa passaram a fazer parte do mesmo ecossistema, criando uma identidade econômica que ainda aparece no nome de museus e eventos.
O calçado em quatro números
Os dados da Fimec são da edição de 2026. O acervo do Museu Nacional do Calçado é informado pela Universidade Feevale.

Por que uma feira da cidade está entre as maiores do setor no mundo?
A Fimec reúne praticamente toda a cadeia coureiro-calçadista no mesmo espaço. Em março de 2026, a Fenac registrou 23 mil visitantes e 400 expositores durante três dias.
A organização apresenta a Fimec como uma das três maiores feiras do setor no mundo. Os pavilhões ocuparam mais de 30 mil m² com máquinas, couros, componentes, produtos químicos, tecnologia e soluções para fábricas.
Uma das atrações é a Fábrica Conceito, que monta linhas de produção em tempo real para mostrar como um calçado passa de matéria-prima a produto final. Essa ligação entre indústria e demonstração pública mantém a cidade conectada às mudanças do setor.

O que existe dentro de um museu com mais de 45 mil peças?
O Museu Nacional do Calçado guarda a memória material dessa transformação. A Universidade Feevale informa que o acervo ultrapassa 45 mil peças.
Há calçados históricos, formas, ferramentas, documentos, objetos de design e peças produzidas em diferentes épocas e continentes. Em 2026, o museu continuou recebendo novas obras e mantendo exposições abertas ao público.
O espaço foi criado em 1998 e fica no Câmpus I da Feevale. Mais do que exibir sapatos curiosos, ele preserva a história de trabalhadores, estilistas, fábricas e técnicas que moldaram a economia regional.

Onde aparece a história anterior às grandes fábricas?
O bairro Hamburgo Velho preserva a camada mais antiga da cidade. Ali ficam casas e edifícios ligados à imigração alemã, além de equipamentos culturais que ajudam a contar a formação do município.
- Casa Schmitt-Presser: exemplo de arquitetura associada à imigração alemã e patrimônio cultural preservado.
- Fundação Ernesto Frederico Scheffel: ocupa um casarão histórico e reúne grande acervo do artista.
- Parque Henrique Luiz Roessler: área verde protegida conhecida como Parcão.
- Museu Nacional do Calçado: preserva a memória industrial e cultural ligada ao setor.
- Lomba Grande: região rural com gastronomia, paisagens e roteiros ligados à produção local.
O contraste entre Hamburgo Velho e os pavilhões da Fenac mostra duas etapas da mesma cidade. Uma guarda casas e memória da imigração; a outra mostra máquinas e tecnologia de uma indústria que ganhou escala internacional.
Quem quer conhecer o polo calçadista do Rio Grande do Sul, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 69 mil visualizações, onde Tati Marmon mostra os atrativos e a história de Novo Hamburgo:
Como é o clima de Novo Hamburgo durante o ano?
O verão é quente, enquanto o inverno registra manhãs frias e chuva ainda frequente. As médias de 30 anos mostram máximas de 29°C em janeiro e fevereiro e mínima de 10°C em julho.
Novo Hamburgo em cada estação
Os valores vêm de médias climatológicas de 30 anos do Climatempo. El Niño e La Niña podem alterar o padrão entre os anos.
Novo Hamburgo transformou um setor industrial em parte da própria memória
O IBGE estima 235.801 moradores em 2026, mas a projeção nacional da cidade continua muito ligada a uma indústria específica.
A diferença é que o calçado deixou de ser apenas produto. Ele virou feira internacional, museu, formação profissional e identidade urbana. Entre os casarões de Hamburgo Velho e uma Fimec que reúne visitantes do mundo inteiro, Novo Hamburgo continua contando a própria história pelos passos de quem fabrica, desenha e usa sapatos.
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