Brasil pagou €$ 80 milhões por 12 Mirage 2000 usados e, depois de 14 anos, FAB vendeu nove células sem condição de voo por US$ 452 mil em leilão internacional da FAB
Os caças franceses foram incorporados ao 1º Grupo de Defesa Aérea, em Anápolis, e assumiram uma função importante na defesa do espaço aéreo brasileiro.
O contraste chama atenção: comprados da França como solução temporária para a defesa aérea, os 12 Mirage 2000 custaram € 80 milhões em 2005.
Em 2019, nove células já retiradas de serviço e classificadas oficialmente como sem condição de voo foram adjudicadas pela FAB por US$ 452 mil em uma licitação internacional.
Por que o Brasil comprou 12 Mirage 2000 usados?
A aquisição ocorreu em um momento de transição da aviação de caça brasileira. Os Mirage III estavam chegando ao fim da vida operacional, enquanto o país ainda buscava uma solução definitiva para renovar sua frota.
O acordo com a França somava € 80 milhões, sendo € 60 milhões pelas 12 aeronaves e € 20 milhões por peças de reposição. O lote tinha dez Mirage 2000C monopostos e dois Mirage 2000B bipostos.
Como os Mirage 2000 foram empregados pela FAB?
Os caças franceses foram incorporados ao 1º Grupo de Defesa Aérea, em Anápolis, e assumiram uma função importante na defesa do espaço aéreo brasileiro. As entregas ocorreram entre 2006 e 2008.
A solução, entretanto, tinha caráter temporário. Os Mirage 2000 permaneceram em serviço até dezembro de 2013, quando o modelo foi retirado da operação da FAB. O último voo em serviço registrado pelo Museu Aeroespacial ocorreu em 31 de dezembro daquele ano.
Veja a chegada do Mirage 2000 ao Brasil no vídeo abaixo do canal “José Felipe Malagueta“.
O que aconteceu com os aviões depois da aposentadoria?
Anos após a retirada dos caças, a FAB colocou nove aeronaves do Projeto F-2000 em um processo internacional de venda.
O documento oficial da Comissão Aeronáutica Brasileira em Washington classificava os aviões como “no-flight condition”, ou seja, sem condição de voo.
O resultado da licitação revelou uma disputa apertada entre duas empresas. Os valores apresentados foram:
A PROCOR acabou adjudicada vencedora pelo valor global de US$ 452 mil.
Por que € 80 milhões e US$ 452 mil não podem ser comparados diretamente?
A diferença numérica impressiona, mas os dois negócios envolviam circunstâncias completamente diferentes. Em 2005, os € 80 milhões abrangiam 12 aeronaves, peças de reposição e a estrutura relacionada à aquisição. Em 2019, os US$ 452 mil correspondiam ao lote inteiro de nove células já retiradas de serviço e sem condição de voo.
Por isso, dividir os US$ 452 mil por nove e apresentar o resultado como se fosse o “preço de cada caça” também simplifica demais a operação. O edital tratava o conjunto como um lote único, sem estabelecer aquele valor individual para cada aeronave.
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O Mirage 2000 fechou um capítulo da aviação de caça brasileira
A trajetória dos Mirage 2000 pode ser resumida em três momentos: aquisição em 2005, retirada de serviço em 2013 e alienação de nove células em 2019. O modelo foi comprado para preencher uma lacuna enquanto o Brasil avançava na renovação de sua aviação de caça.
A escolha do Gripen ocorreu em 2013, mas a substituição não aconteceu imediatamente. Assim, os Mirage 2000 ficaram registrados como uma solução de transição que chegou usada à FAB, cumpriu sua função operacional por alguns anos e posteriormente teve parte de suas células destinada à preservação e outra parte à alienação.
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