Sulcos continuam surgindo em Marte sem água líquida: gelo de CO2 pode deslizar como se estivesse sobre uma mesa de ar
Blocos de gelo de CO2 deslizam sustentados por um colchão de gás, mecanismo que explica marcas registradas por Mars Express e MRO

O que você vai ver
- Por que os sulcos marcianos intrigavam sem água líquida envolvida.
- Como o gelo de CO2 se comporta como sobre uma mesa de ar.
- O que Mars Express e MRO registraram sobre essas ravinas ativas.
- Em que esse mecanismo difere de outras marcas de CO2 já vistas em Marte.
- Por que entender esse processo importa para futuras missões a Marte.
Sulcos continuam surgindo em encostas marcianas mesmo sem qualquer participação de água líquida no processo, e um mecanismo baseado em gelo de CO2 deslizando como se estivesse sobre uma mesa de ar ajuda a explicar como essas marcas se formam repetidamente.
Por que os sulcos marcianos intrigavam sem água líquida envolvida?
Sulcos e ravinas observados em encostas de Marte lembram, à primeira vista, marcas deixadas por água corrente na Terra, semelhança que por muito tempo alimentou hipóteses sobre a possível presença de água líquida sazonal na superfície marciana atual.
Como Marte não sustenta água líquida estável em sua superfície nas condições atuais de pressão e temperatura, esses sulcos recorrentes intrigavam pesquisadores, que precisavam explicar como marcas tão semelhantes a erosão hídrica continuavam surgindo sem a presença do próprio líquido.

Como o gelo de CO2 se comporta como sobre uma mesa de ar?
Segundo o phys.org, observações de Mars Express e do Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) indicam que blocos de gelo de CO2 conseguem deslizar encosta abaixo sustentados por uma camada de gás liberado por baixo deles, mecanismo comparável ao de uma mesa de ar, equipamento que sustenta objetos sobre um colchão de ar pressurizado.
Esse colchão de gás se forma quando o próprio gelo de CO2 sublima parcialmente em contato com o solo mais aquecido, processo que reduz drasticamente o atrito entre o bloco de gelo e a superfície e permite que ele deslize por distâncias consideráveis, esculpindo o sulco à medida que avança encosta abaixo.
Água líquida sazonal escorrendo encosta abaixo
Bloco de gelo de CO2 deslizando sobre colchão de gás
O que Mars Express e MRO registraram sobre essas ravinas ativas?
Mars Express e o Mars Reconnaissance Orbiter registraram, ao longo de observações repetidas da mesma região, o surgimento de novas marcas em encostas já monitoradas, evidência direta de que o processo responsável pelos sulcos continua ativo no presente, não sendo apenas um vestígio de um passado marciano mais úmido.
Essa atividade recorrente, capturada por instrumentos orbitais capazes de fotografar a mesma área em diferentes estações do ano marciano, permitiu associar o surgimento das marcas a períodos específicos de temperatura, justamente quando o gelo de CO2 sazonal está presente e sujeito à sublimação parcial que sustenta o deslizamento dos blocos.
Em que esse mecanismo difere de outras marcas de CO2 já vistas em Marte?
Esse mecanismo de deslizamento sobre um colchão de gás se distingue de outras feições associadas a gelo de CO2 já documentadas em Marte, como fissuras em formato de aranha que se formam quando o gás liberado pela sublimação escapa por baixo de uma camada de gelo sazonal e rompe a superfície em padrões ramificados.
Enquanto essas fissuras ramificadas resultam do escape do gás por rupturas na crosta de gelo sobre terreno praticamente plano, os sulcos em encostas resultam do deslocamento físico de um bloco inteiro de gelo, sustentado pelo próprio gás liberado, processo distinto que produz uma marca linear e contínua ao longo do trajeto percorrido pelo bloco.

Por que entender esse processo importa para futuras missões a Marte?
Entender esse processo de deslizamento de gelo de CO2 importa para futuras missões a Marte porque ajuda a diferenciar corretamente feições formadas por esse mecanismo daquelas que poderiam, em tese, indicar atividade hídrica mais recente, distinção relevante para escolher locais prioritários de investigação sobre possível habitabilidade passada ou presente.
Essa clareza sobre a origem real dos sulcos também evita interpretações equivocadas sobre a história climática de Marte, permitindo que planejadores de missão concentrem recursos de exploração em feições que de fato representam evidências mais sólidas de água líquida antiga, em vez de marcas explicadas por dinâmica sazonal do gelo de CO2.
- Sulcos em encostas marcianas continuam se formando sem qualquer participação de água líquida.
- Blocos de gelo de CO2 deslizam sustentados por um colchão de gás liberado por sublimação parcial.
- Mars Express e o MRO registraram o surgimento repetido de novas marcas ao longo do tempo.
- O mecanismo se distingue de outras feições de CO2, como fissuras ramificadas em terreno plano.
Mapeamentos que aceleram a leitura de estruturas complexas na superfície de outros corpos do sistema solar também aparecem no relato sobre a inteligência artificial que a NASA e a IBM treinaram com dezessete anos de imagens da Lua.
Mais detalhes sobre o mecanismo dos sulcos marcianos estão disponíveis no site oficial do Phys.org.
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