“Turma do KN” tinha contrato de até R$ 427 milhões com Vorcaro, diz PF
Banqueiro atuava para destravar 8,5 bilhões de reais em precatórios
Arquivos encaminhados pela Polícia Federal a ministros do Supremo Tribunal Federal revelam que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, poderia pagar até 427 milhões de reais à “turma do KN”, modo como assessores do banqueiro se referiam ao desembargador Newton Ramos, do TRF-1, e à sua esposa, a advogada Camilla Ramos, próximos ao ministro Kassio Nunes Marques.
Segundo o Metrópoles, o valor seria pago em caso de êxito em causas do sucroalcooleiro, com honorários de 5% líquidos sobre o valor recebido pelo Master em 12 processos.
Vorcaro atuava para destravar 8,5 bilhões de reais em precatórios, decorrentes do controle de preços realizado pelo antigo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA).
Para defendê-lo nas causas, o Master contratou o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, pertencente a Camila Ramos.
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“Excelente voto”
Em mensagens enviadas a Vorcaro, a esposa de Newton Ramos celebra o voto do ministro Nunes Marques no julgamento.
“Boa tarde! Grande vitória hoje para as Usinas na 2a Turma do STF! Placar 3×2 a favor das Usinas, para não aplicar o Tema 826.
É um excelente voto do Min. Nunes Marques fazendo a distinção dos casos em que o título judicial trouxe os critérios da indenização”, escreveu.
Os ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Nunes Marques votaram por reconhecer o precatório.
Gilmar Mendes e André Mendonça foram vencidos na discussão.
Nunes Marques, que inicialmente se declarou impedido, votou, alegando que havia ocorrido um “equívoco da assessoria do gabinete”.
Toffoli, que costumava votar contra esse tipo de ação, adotou uma posição favorável ao Master.
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O que diz Nunes Marques?
Em nota, o ministro Nunes Marques afirmou não se tratar de uma ação sobre o Master.
“Em relação ao processo citado sobre a usina, o ministro Kassio Nunes Marques estava impedido por anotação da Secretaria porque decidiu o caso como vice-presidente do TRF-1. Posteriormente compreendeu que tecnicamente não estava impedido, por se tratar de tese ampla, pediu retificação à Secretaria e acabou votando. Votou diversas vezes no mesmo sentido enquanto estava no TRF-1. Embora na mensagem eles estivessem comemorando o resultado, não se tratava de ação sobre o Master, era uma tese que se aplicaria a diversas empresas. O ministro nunca votou a favor do Banco Master, e o filho nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro.”
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