Aventureiros descem ao fundo do Mediterrâneo e encontram 1.400 círculos gigantes desenhados milimetricamente na areia
O desenho no fundo do mar chamou atenção pelo número de formas e pela precisão do alinhamento
A mais de 100 metros de profundidade, ao norte da Córsega, o fundo do Mediterrâneo assume um padrão que parece impossível de ignorar: centenas de círculos quase regulares, muitos com dezenas de metros de diâmetro. As campanhas da Gombessa 6 mapearam 1.417 anéis coralígenos concentrados em uma área submarina única.
O que são os 1.400 círculos encontrados no Mediterrâneo?
As estruturas são anéis coralígenos, formações construídas ao longo do tempo por processos biológicos e geológicos. Elas apresentam uma coroa rica em rodólitos e organismos calcários, além de zonas centrais e faixas de sedimento.
O primeiro estudo científico publicado sobre o fenômeno, em 2012, descreveu estruturas de aproximadamente 20 a 30 metros de diâmetro ao norte do Cap Corse.

Quantos anéis existem e a que profundidade eles ficam?
O mapeamento ampliado da Gombessa 6 contabilizou 1.417 anéis. Eles aparecem entre aproximadamente 90 e 135 metros de profundidade, com grande concentração na faixa entre 110 e 120 metros.
Quantidade registrada nos levantamentos ampliados do Cap Corse.
Faixa de diâmetro descrita para muitas das estruturas circulares.
Faixa de profundidade em que os anéis aparecem no levantamento.
Período das principais campanhas que geraram o conjunto de dados mais recente.
Como os pesquisadores mapearam formas escondidas tão fundo?
A investigação combinou sonar multifeixe, sonar de varredura lateral, mergulho profundo, veículos subaquáticos e fotogrametria. Cada técnica revelou uma parte diferente do relevo e da composição dos anéis.
O Marine Geoscience Data System reúne a localização e a classificação interpretada das estruturas registradas pelas campanhas entre 2021 e 2023.
- Sonar: revelou o padrão repetido sobre grandes áreas do fundo.
- Mergulhadores: observaram diretamente as estruturas em profundidade.
- Fotogrametria: permitiu construir modelos tridimensionais detalhados.
- Amostras: mostraram a presença de componentes coralígenos, rodólitos e sedimentos.
Todos os círculos têm a mesma estrutura?
Não. O levantamento separou os anéis conforme a presença ou ausência de uma formação central. Essa diferença pode ajudar a reconstruir como essas estruturas surgiram e mudaram ao longo do tempo.
Mantêm uma estrutura coralígena evidente na região interna.
Apresentam a forma de anel sem a formação central bem definida.
A classificação do núcleo não pôde ser determinada com segurança.
Leia também: Quatro mistérios do fundo do mar que a ciência ainda tenta compreender
Por que esses círculos são tão importantes para a ciência?
Os anéis formam habitats profundos raros e aparecem em uma região marcada por falhas geológicas e antigas mudanças do nível do mar. A geometria chama atenção, mas a combinação entre geologia e vida marinha é o que torna a área especialmente valiosa.
O conjunto de dados publicado em 2026 liga a posição dos anéis à rede de falhas interpretada no fundo do mar. Isso permite investigar como relevo, circulação de fluidos, sedimentos e crescimento coralígeno contribuíram para uma paisagem que permanece praticamente sem equivalente conhecido.
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