Em 1994, cientistas jogaram pneus usados no oceano para criar um recife artificial — décadas depois, o resultado surpreendeu até os pesquisadores
O que começou em 1978 como uma tentativa de criar um recife artificial com pneus e concreto acabou transformando o fundo do mar de Yarmouth.
O que começou em 1978 como uma tentativa de criar um recife artificial com pneus e concreto acabou transformando o fundo do mar de Yarmouth, em Massachusetts, nos Estados Unidos, em um ambiente ocupado por diversas espécies marinhas.
Décadas depois, o local passou a abrigar peixes, lagostas, tubarões e outros animais, mostrando que estruturas artificiais podem alterar completamente um ambiente submarino quando são planejadas e monitoradas.
Por que pneus foram colocados no fundo do oceano?
A utilização de objetos descartados para concentrar animais marinhos já acontecia nos Estados Unidos desde o século 19. Pescadores utilizavam materiais como madeira e redes para criar pontos capazes de atrair peixes.
Na década de 1970, a ideia passou a receber planejamento específico. Pneus e estruturas de concreto começaram a ser utilizados para formar superfícies onde organismos poderiam se fixar e animais encontrariam abrigo.
Como o projeto de recife artificial em Yarmouth se transformou em um novo habitat?
O projeto iniciado em 1978 continuou sendo ampliado ao longo das décadas.
Segundo informações reproduzidas pela CNN Brasil, mais de 17 mil toneladas de materiais foram posicionadas na região por equipes da Guarda Costeira dos Estados Unidos, do governo de Massachusetts e do Departamento de Recursos Naturais de Yarmouth.
O local também passou a ser monitorado por mergulhadores com câmeras. As observações revelaram uma variedade de animais utilizando as estruturas artificiais como parte do ambiente marinho.
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Quais animais passaram a viver entre as estruturas do recife artificial?
O recife artificial acabou se tornando um ponto de abrigo e concentração para diferentes espécies. O monitoramento registrou mais de 18 espécies marinhas, incluindo animais de diferentes níveis da cadeia alimentar.
Entre os principais registros estão:
O resultado transformou Yarmouth em um exemplo de como estruturas submarinas planejadas podem oferecer novos espaços para a vida marinha.
O que aconteceu quando outro projeto usou milhões de pneus?
A experiência de Yarmouth contrasta fortemente com o recife de Osborne, na Flórida. Nesse caso, mais de 2 milhões de pneus foram lançados ao mar e presos com hastes finas de aço.
As estruturas se soltaram e acabaram sendo espalhadas pelas correntes marítimas por uma área superior a 15 hectares. Em vez de formar um habitat estável, os pneus continuaram se deslocando e liberando resíduos considerados prejudiciais ao ambiente.
A partir de 2007, equipes do Exército dos Estados Unidos começaram a removê-los. Até novembro de 2019, porém, cerca de dois terços do material original ainda permaneciam no oceano.
A diferença entre os projetos revela a principal lição: jogar resíduos no mar não cria automaticamente um recife artificial. Estabilidade, planejamento, manutenção e acompanhamento ambiental são fundamentais para determinar o resultado.
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