Um continente inteiro está se movendo mais rápido que qualquer outro do planeta — e os cientistas explicam por que isso é um problema para o GPS mundial
Parece impossível perceber, mas a Austrália está literalmente mudando de posição no mapa todos os anos
Parece impossível perceber, mas a Austrália está literalmente mudando de posição no mapa todos os anos. O continente avança cerca de 7 centímetros por ano em direção ao norte-nordeste, movimento que o coloca entre as massas continentais mais rápidas do planeta e cria um problema inesperado para sistemas de posicionamento que dependem de coordenadas extremamente precisas.
Por que a Austrália se desloca tão rapidamente?
A Austrália está sobre a Placa Australiana, uma das placas tectônicas que apresentam maior velocidade de deslocamento. Enquanto muitas placas continentais avançam cerca de 1 a 3 centímetros por ano, o território australiano percorre aproximadamente 7 centímetros anuais.
Esse movimento é provocado por forças no interior da Terra que deslocam a placa em direção ao norte-nordeste, aproximando-a do sudeste asiático. O ritmo é invisível no cotidiano, mas se torna significativo quando medido ao longo de décadas.
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Quanto a Austrália já saiu do lugar indicado no mapa?
A dimensão do deslocamento fica mais impressionante quando o movimento anual é acumulado. Em uma década, os cerca de 7 centímetros por ano representam aproximadamente 70 centímetros; em um século, a diferença pode chegar a 7 metros.
Até 2020, a defasagem entre as coordenadas utilizadas como referência e a posição física do continente já chegava a aproximadamente 1,8 metro.
Para um aplicativo comum de celular, isso tende a ser irrelevante, mas pode representar um problema considerável em sistemas que trabalham com precisão centimétrica.
Confira um pouco mais sobre o movimento do continente Australiano no vídeo abaixo do canal “Earthly“
Como esse movimento interfere no GPS?
Sistemas de GPS e outras tecnologias de navegação por satélite dependem de referenciais geodésicos, que estabelecem coordenadas para determinar com precisão a localização de cada ponto da superfície terrestre.
O problema aparece porque essas coordenadas precisam acompanhar uma superfície que está permanentemente em movimento. Ao longo dos anos, pequenos deslocamentos acabam se acumulando e criando diferenças relevantes para aplicações de alta precisão.
Os principais efeitos aparecem em atividades que dependem de posicionamento centimétrico, como:
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Como a Austrália está corrigindo o problema?
A solução foi atualizar o sistema oficial de referência para acompanhar a posição real do território. Em 2020, o país adotou o GDA2020 (Geocentric Datum of Australia 2020), realinhando as coordenadas oficiais com a localização determinada por técnicas modernas de posicionamento.
Como a placa tectônica não parou de se mover depois da atualização, o processo não termina aí. Novas correções e atualizações são necessárias para manter a precisão das coordenadas ao longo do tempo.
O problema mostra que nenhum continente está realmente parado
O caso australiano revela uma característica fundamental do planeta: os mapas parecem estáticos, mas a superfície terrestre está em movimento contínuo. América do Norte e Europa, por exemplo, também se deslocam, geralmente em velocidades menores, na faixa de 2 a 3 centímetros por ano.
Para a geodésia moderna, o desafio é justamente manter sistemas de referência precisos em uma Terra dinâmica, na qual placas tectônicas se afastam, colidem e mudam continuamente a posição dos pontos usados como referência.
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