Homem junta 150 mil garrafas PET, monta uma ilha flutuante com as próprias mãos e transforma o espaço em um refúgio isolado no litoral
Redes, paletes, solo e vegetação transformaram milhares de recipientes descartados em uma plataforma habitável próxima ao litoral mexicano.
Garrafas vazias, redes, paletes, terra e plantas foram combinados para criar uma estrutura habitável sobre a água. O responsável foi Richart “Rishi” Sowa, britânico que ergueu a Joyxee Island perto de Isla Mujeres, no México, usando cerca de 150 mil garrafas PET segundo estimativas divulgadas sobre o projeto.
Como 150 mil garrafas conseguiram sustentar uma ilha?
Sowa reuniu garrafas fechadas dentro de redes, formando grandes módulos de flutuação. Esses conjuntos foram posicionados sob paletes de madeira, que serviram como plataforma para receber outras camadas e permitir que a superfície fosse ocupada.
Sobre essa base, ele adicionou areia, terra e matéria orgânica. A estrutura cresceu aos poucos, com novas redes de garrafas incorporadas às bordas. As estimativas sobre o total variam, mas a Joyxee costuma ser descrita como feita com mais de 100 mil unidades.

O que havia sobre a plataforma flutuante?
A construção deixou de ser apenas uma balsa improvisada. A ilha ganhou uma casa de três pavimentos, áreas de cultivo, pequenos lagos, espaço para circulação e sistemas simples para aproveitar energia solar e o movimento das ondas.
O registro histórico da Joyxee Island relata ainda internet, máquina de lavar movimentada pelas ondas, cachoeira e cultivo de hortaliças e ervas. A área chegou a aproximadamente 8 mil pés quadrados.
Alguns elementos mostram como o projeto foi montado:
Por que Sowa plantou mangues sobre uma base de plástico?
Os mangues e outras plantas ajudavam a criar sombra, matéria orgânica e uma cobertura viva sobre a plataforma. À medida que cresciam, as raízes atravessavam as camadas superiores e se misturavam à estrutura montada com madeira e garrafas.
Isso não transformava plástico em solo natural nem eliminava os riscos ambientais do material. A proposta era construir uma superfície vegetada e habitável usando resíduos reaproveitados, enquanto o crescimento das plantas ajudava a consolidar algumas partes da ilha.
Essa foi a primeira ilha construída por ele?
Não. Antes da Joyxee, Sowa criou a Spiral Island perto de Puerto Aventuras, também no Caribe mexicano. Essa primeira experiência foi construída no fim dos anos 1990 e teria usado aproximadamente 250 mil garrafas.
Em 2005, o furacão Emily destruiu a estrutura. Sowa então recomeçou o projeto em outro ponto do litoral, na região de Isla Mujeres, onde a segunda ilha ficou a poucos metros da costa e passou a receber visitantes.
O homem realmente vivia isolado naquele lugar?
A ilha funcionava como residência e dava a impressão de um pequeno mundo particular, mas não ficava completamente isolada. Ela estava próxima da costa e chegou a ser aberta para visitas, com acesso por uma embarcação também construída com materiais reaproveitados.
Sowa buscava reduzir a dependência de infraestrutura externa por meio de energia solar, cultivo de alimentos e soluções mecânicas simples. Ainda assim, a Joyxee não era uma comunidade totalmente independente do continente.
A diferença entre aparência e funcionamento fica mais clara assim:
O que aconteceu com a ilha depois de tantos anos?
A Joyxee não permaneceu intacta indefinidamente. Tempestades causaram danos ao longo do tempo e, segundo registros posteriores, autoridades locais determinaram sua remoção. Em 2019, o local já era descrito como encerrado para visitantes.
A história ficou marcada menos como um modelo pronto de moradia e mais como uma experiência artesanal de reaproveitamento. Sowa mostrou que milhares de recipientes descartados podiam fornecer flutuação para uma plataforma habitável, embora manutenção, segurança e impacto ambiental continuassem sendo questões essenciais.
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