Coral branco cresce sobre pedras metálicas a mais de 4 mil metros de profundidade e vira uma das novas espécies descritas por museu britânico
Nova espécie do Pacífico vive diretamente sobre nódulos polimetálicos em uma região estudada para possível mineração submarina
No fundo escuro do Pacífico, onde a pressão é extrema e não existe luz solar, pequenas estruturas brancas foram encontradas presas a pedras ricas em metais. Elas pertencem a Deltocyathus zoemetallicus, uma espécie de coral profundo descrita em 2025 a partir de exemplares da zona Clarion-Clipperton. O animal vive diretamente sobre nódulos polimetálicos, transformando um recurso cobiçado pela mineração em seu substrato conhecido.
Por que esse coral profundo surpreendeu os pesquisadores?
Deltocyathus zoemetallicus é um coral escleractínio solitário, grupo formado por animais capazes de construir esqueletos de carbonato de cálcio. Sua aparência é branca, com uma borda que lembra uma pequena coroa ou franja, característica que também inspirou o apelido em inglês “Nodule Crown Coral”.
Os exemplares foram coletados aproximadamente entre 4.150 e 4.250 metros de profundidade, e não exatamente a 5 mil metros. Ainda assim, vivem na planície abissal da Clarion-Clipperton, uma das regiões oceânicas profundas mais estudadas atualmente por causa da grande quantidade de nódulos metálicos espalhados pelo sedimento.
O que são as pedras metálicas onde esse coral cresce?
Nódulos polimetálicos são concreções minerais que se desenvolvem extremamente devagar sobre o fundo oceânico. Eles concentram principalmente manganês e ferro, além de metais como níquel, cobre e cobalto. Em algumas áreas da Clarion-Clipperton, aparecem espalhados pelo sedimento como pedras arredondadas.
Para vários animais, esses nódulos têm outra função: fornecem uma superfície dura numa paisagem dominada por lama macia. D. zoemetallicus chamou atenção porque é o primeiro coral escleractínio conhecido no Pacífico oriental descrito vivendo diretamente preso a esses nódulos.
- Vive aderido a nódulos polimetálicos;
- Foi coletado em profundidades superiores a 4 mil metros;
- Não depende de algas fotossintéticas;
- Produz um esqueleto calcário;
- Foi registrado ao longo de aproximadamente mil quilômetros.
Este vídeo apresenta a nova espécie e sua associação incomum com nódulos metálicos do fundo do Pacífico.
Como o coral profundo sobrevive onde não existe luz solar?
Diferentemente dos corais tropicais mais conhecidos, D. zoemetallicus é azooxantelado. Isso significa que não depende das algas fotossintéticas simbióticas que fornecem grande parte da energia aos corais de recifes rasos. Em plena escuridão, sua alimentação depende de matéria orgânica e pequenos organismos disponíveis na água.
Outro desafio está na química oceânica. Alguns exemplares foram encontrados perto ou abaixo da profundidade de compensação dos carbonatos, região onde o carbonato de cálcio tende a dissolver-se com maior facilidade. Mesmo assim, o animal consegue produzir e manter seu esqueleto, indicando adaptações fisiológicas ainda pouco compreendidas.
Como os cientistas souberam que era realmente uma nova espécie?
Os pesquisadores combinaram características anatômicas tradicionais com técnicas modernas. Imagens de alta resolução e microtomografia computadorizada em três dimensões permitiram analisar detalhes do esqueleto e compará-los com outras espécies conhecidas do gênero Deltocyathus.
O Natural History Museum de Londres incluiu D. zoemetallicus entre as 262 espécies descritas em 2025 com participação de seus pesquisadores. O trabalho taxonômico demonstrou diferenças suficientes para reconhecer formalmente uma espécie nova para a ciência.

O que o coral profundo revela sobre a zona Clarion-Clipperton?
A distribuição conhecida da espécie abrange aproximadamente mil quilômetros, mostrando que ela não foi encontrada apenas em um único nódulo isolado. Mesmo assim, até agora seu substrato conhecido são justamente essas formações minerais de crescimento extremamente lento.
Isso cria uma conexão direta entre biodiversidade e geologia. Retirar os nódulos significa também retirar superfícies usadas como habitat por corais, esponjas, briozoários e outros organismos que não conseguem simplesmente substituir essas estruturas em poucos anos.
| Característica | Registro |
|---|---|
| Profundidade | 4.150 a 4.250 metros |
| Região | Clarion-Clipperton |
| Distribuição conhecida | Cerca de 1.000 km |
| Substrato | Nódulos polimetálicos |
Por que descobrir essa espécie antes da mineração é tão importante?
A Clarion-Clipperton desperta interesse porque seus nódulos concentram metais considerados relevantes para diferentes tecnologias. Ao mesmo tempo, estudos indicam uma biodiversidade enorme e ainda pouco descrita, fazendo com que novas espécies continuem sendo encontradas justamente nas áreas avaliadas para futura exploração mineral.
D. zoemetallicus resume esse conflito científico. Uma pedra aparentemente inerte pode levar milhões de anos para crescer e servir de suporte para animais especializados. Antes de remover esses nódulos em escala industrial, pesquisadores precisam entender quais espécies dependem deles e se a perda desse habitat poderia ser efetivamente reversível.
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