Armínio aponta “populismo” no aumento do Bolsa Família
"A meta fiscal, este ano, se for cumprida formalmente, vai ser só formalmente, porque economicamente não foi", critica ex-presidente do Banco Central
Ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga (foto) criticou o anúncio do reajuste do Bolsa Família pelo governo Lula a 17 dias da votação da eleição deste ano.
“O momento, claramente, não dá para dissociar das eleições. Acho que a palavra populismo surge quase que instantaneamente”, disse o economista ao jornal O Globo.
Segundo ele, “a meta fiscal, este ano, se for cumprida formalmente, vai ser só formalmente, porque economicamente não foi”.
“Como a gente já falou várias vezes, é uma meta insuficiente, principalmente para um programa de quatro anos. O Brasil chegar aqui ainda com déficit primário em termos econômicos, eu acho que é o que está por trás desse cabo de guerra entre o fiscal e o monetário que joga o juro ainda mais para cima”, criticou Armínio ao ser questionado sobre o possível impacto para o Orçamento.
O governo Lula não apenas anunciou um reajuste no benefício a duas semanas da eleição, como o propagandeou em peças de campanha, o que pode configurar crime eleitoral.
Em agosto de 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) invalidou parcialmente a emenda constitucional apresentada pelo governo Jair Bolsonaro que possibilitou o aumento de benefícios como Bolsa Família e Auxílio Gás (hoje Gás do Povo), e que também estabeleceu benefícios para caminhoneiros e taxistas.
Na época, a maioria do STF entendeu que a chamada “PEC Kamikaze” tumultuou as eleições e desequilibrou o pleito em favor de Bolsonaro. Mas ela foi aprovada pelo Congresso Nacional, e não por decreto, como o reajuste deste ano do Bolsa Família, e seis meses antes da eleição.
STF
O ex-presidente do BC também lamentou a sessão do STF em quatro ministros impediram a abertura de uma investigação sobre Alexandre de Moraes.
“Depois desse triste espetáculo no Supremo, cogita-se também que um impacto provável é negativo para a reeleição. Não sem razão, acho que está todo mundo pregando esses rótulos de várias denominações circulando, de autodefesa, de corporativismo, e, no fundo de impunidade. Tudo isso que a gente está falando é gigante. Mas não precisa assim de 200 palavras para comentar, sinceramente”, comentou.
Leia mais: Lula merece afundar com o STF
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)