Crusoé: Fed desafia pressão de Trump com alta dos juros
Trump chama diretoria do Fed de hostil e politizada após decisão unânime de subir juros básicos dos Estados Unidos
O Federal Reserve elevou nesta quarta-feira, 16, os juros básicos dos Estados Unidos em 25 pontos base, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano, a primeira alta promovida pelo banco central americano desde 2023.
A decisão foi unânime entre os membros votantes do Comitê Federal de Mercado Aberto e encerrou um período em que o Fed vinha mantendo as taxas estáveis, mesmo diante da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em fevereiro, que aumentou o preço do petróleo e pressionou a inflação americana ao lado das tarifas de importação impostas pelo governo Trump e o boom de investimentos ligados à IA.
O chairman do Fed, Kevin Warsh, indicado por Donald Trump e empossado em maio para suceder Jerome Powell, afirmou em coletiva de imprensa que os dados de inflação do verão americano não mostraram melhora nas tendências de fundo e chamou a decisão de sóbria e responsável.
Novas projeções do Fed mostraram que 16 das 18 autoridades esperam pelo menos mais um aumento de 0,25 ponto percentual até o fim do ano, enquanto apenas duas acreditam que os juros ficarão estáveis a partir de agora. Warsh reiterou que não pretende antecipar movimentos futuros e não apresentou uma projeção própria.
Horas depois do anúncio, Donald Trump reagiu em sua rede social, exigindo juros de 1% ou menos, argumentando que o país tem o melhor crédito do mundo. Ele afirmou ter conversado com Warsh e disse que o chairman poderia votar com a diretoria do Banco Central, porque isso não mudaria nada, classificando o colegiado como hostil e politizado. Warsh não confirmou a conversa.
Trump também associou os déficits comerciais americanos ao custo do crédito definido pelo Fed, temas que não possuem ligação direta entre si.
Apesar da crítica ao Banco Central, Trump afirmou continuar confiando em Warsh. A reação contrasta com o tratamento dado ao antecessor do atual chairman, Jerome Powell, que também havia sido indicado por Trump e era frequentemente criticado pelo presidente por não cortar os juros no ritmo desejado pelo governo.
Segundo a Reuters, uma ex-autoridade da Casa Branca disse que…
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