Gilmar volta a atacar Mendonça: “Pixuleco eleitoral”
Decano do STF volta a remoer a Operação Lava Jato para defender seu ex-sócio Gonet e repete ilações sobre atitudes do colega de tribunal
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes (ao fundo na foto), publicou um texto nas redes sociais para defender seu ex-sócio Paulo Gonet, procurador-geral da República, e atacar mais uma vez o colega de tribunal André Mendonça (em primeiro plano na foto), que voltou a chamar de “pixuleco eleitoral”.
Gilmar repetiu os ataques que levaram a uma reação de Mendonça e serviram de mote para o ministro Flávio Dino pedir vista de uma questão preliminar na sessão convocada para tratar da relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, na terça-feira, 15.
“Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita. Isso nunca foi objeto de disputa: é reconhecido em todos os espectros, por quem concorda e por quem discorda dele. Mesmo assim, teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam. E, naquele exato momento, o estrago à reputação já estava feito. Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário”, diz o decano no texto.
Segundo o ministro, “ainda assim, assistimos na terça-feira a uma cena lamentável”.
“Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor? Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável”, diz Gilmar, que não se incluiu entre o lamentável daquela sessão.
“Pixuleco eleitoral”
“E não foi só isso. A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular. Apoio a quê, exatamente? A um ato que ele mesmo admitiu não ter fundamento contra a pessoa exposta? Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral”, atacou o decano, mencionando, como de costume, a Operação Lava Jato.
“Já vimos esse filme. Na Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro transformaram vazamento seletivo em método. A ideia era sempre criar o fato consumado antes da ação penal, colher os dividendos políticos e deixar a defesa correndo atrás de um julgamento que a opinião pública já havia feito. Linchamento coletivo serve para esvaziar o direito de defesa e enterrar a presunção de inocência”, reclamou Gilmar, que voltou também a fazer ilações, como tinha feito Moraes ao tentar se defender atacando Mendonça.
“E, como na Lava Jato, a hora nunca é ao acaso. Lá, sigilos caíam a poucas semanas das eleições. Aqui, o levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método. No fundo, o alvo é o direito de defesa de pessoas contra as quais esses agentes nutrem algo que se parece muito mais com vingança do que com justiça”, seguiu o ministro.
Segundo Gilmar, “instituição séria respeita o devido processo desde o primeiro ato”.
Ele finaliza dizendo o seguinte:
“A Paulo Gonet, minha integral solidariedade. O Brasil e as instituições são devedores da coragem, da seriedade e da correção de homens como ele.”
Leia mais: Moraes e Gilmar puxam STF para o buraco
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Comentários (3)
Geraldo Jorge Costa Pessoa dos Santos
17.09.2026 09:58É quase comovente ver alguém acreditar que os donos do poder vão reformar o próprio pedestal — ou, melhor ainda, se colocar no banco dos réus. Nada como esperar lucidez de quem vive confortavelmente na sombra que ele mesmo projeta.
Caetano da Rocha Braga
17.09.2026 08:58O nível das declarações desse ministro é deprimente. Tinha razão o ministro Roberto Barroso nas opiniões sobre o Gilmar.
Marian
17.09.2026 08:41Ao Ministro Mendonça, exatamente, ministro com M maiúsculo. Parabéns.