Crusoé: Quando o Supremo vira notícia no mundo
Não se fortalece uma Suprema Corte enfraquecendo-a. Tampouco se protege uma Suprema Corte evitando discutir seus problemas
Há momentos em que a imagem de uma instituição se revela melhor pelo olhar de quem está fora dela.
A sessão de terça-feira, 15 de setembro, do Supremo Tribunal Federal (STF) foi um desses momentos. Enquanto no Brasil acompanhávamos cada interrupção, cada questão de ordem, cada divergência e cada frase pronunciada pelos ministros, a imprensa internacional tentava explicar aos seus leitores o que estava acontecendo na mais alta Corte brasileira.
E o retrato que emergiu não é confortável.
A Reuters descreveu um Supremo submetido a um teste raro, diante da possibilidade de investigar um de seus próprios integrantes. O Guardian foi mais longe e falou em uma disputa feroz entre ministros, inserida naquela que seria uma das mais graves crises enfrentadas pela Corte desde a redemocratização. A Deutsche Welle destacou as acusações trocadas publicamente entre integrantes do tribunal e o ressurgimento da discussão sobre regras de conduta para seus ministros.
As diferenças de tom importam. Mas importa ainda mais aquilo em que essas narrativas convergem: pela primeira vez em muito tempo, a notícia internacional sobre o Supremo não é propriamente uma decisão do Supremo.
A notícia é o próprio Supremo.
Durante mais de sete horas, o tribunal que deveria discutir a possibilidade de abertura de investigação contra um de seus integrantes permaneceu preso a questões preliminares e procedimentais. O mérito não chegou a ser examinado. O ministro Flávio Dino pediu vista e a sessão terminou sem uma conclusão sobre a investigação.
Nada disso, isoladamente, seria extraordinário. Tribunais divergem. Juízes discutem procedimentos. Pedidos de vista existem precisamente porque questões difíceis exigem reflexão.
O problema começa…
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