Ala alexandrina no Supremo aposta no caos para blindar Moraes
Integrantes do Tribunal que são mais próximos a Mendonça acreditam que haverá mais vazamentos de mensagens que podem comprometer Luiz Fux
A ala mais alinhada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes pretende apostar no caos para tentar blindar o ex-relator do inquérito das fake news de uma eventual investigação.
Integrantes do Tribunal que são mais próximos a André Mendonça, autor do pedido de providência contra Moraes, acreditam que haverá mais vazamentos de mensagens e conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que possam constranger ministros como Kassio Nunes Marques e, principalmente, Luiz Fux.
Durante a sessão desta terça-feira, o ministro Flávio Dino insinuou, em plenário, que poderiam surgir mais mensagens entre o banqueiro e integrantes da Corte. Um dos alvos seria Luiz Fux.
“As mensagens do ministro Fux, as mensagens do ministro Kassio, as mensagens relativas ao ministro André. Nós vamos parar onde?”, declarou Dino ao pedir vistas e alertar ao presidente do STF, Edson Fachin, que a discussão ética na Corte poderia durar semanas.
“Mensagem comigo não tem. Não tem, não, senhor”, rebateu o ministro Fux.
Na sessão desta terça-feira, o ministro Nunes Marques decidiu não participar do julgamento após o vazamento de mensagens que comprometiam o seu filho e o próprio magistrado. Mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicam que o banqueiro teria bancado uma acompanhante de luxo de 10 mil reais. Em uma conversa com Vorcaro, um contato identificado como “Rayanna” cita uma terceira pessoa que “ficou com o Kássio”.
A ala alinhada a Mendonça suspeita que esse vazamento partiu da ala alexandrina do Supremo.
Além disso, integrantes da ala alexandrina vai intensificar a pressão para que Fachin mantenha a sessão do dia 23, em que está prevista a análise do pedido de providências apresentado por Moraes contra Mendonça. Moraes acusa Mendonça de ter criado uma espécie de Polícia Federal (PF) paralela e de ter investigado o colega do Tribunal.
Nesta quarta-feira, 16, Fachin pretende falar sobre o rito do julgamento da semana que vem. A expectativa, a princípio, é que o presidente do STF anuncie a suspensão da próxima sessão. Na visão de Fachin e de ministros como Luiz Fux e Cármen Lúcia, o pedido de vista de Dino sobre a junção ou não dos dois pedidos de providência contamina, automaticamente, a discussão sobre o pedido de investigação de Moraes contra Mendonça.
Os ministros alexandrinos querem tentar tomar o controle da pauta do plenário, como ficou claro durante a sessão desta terça-feira.
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